terça-feira, 21 de outubro de 2014

Salário Mínimo - banda fala sobre sua carreira e o novo disco

            O Salário Mínimo se enquadra na categoria de banda precursora. Afinal, junto a nomes como Golpe de Estado, A Chave do Sol e Platina fez parte da primeira geração daquele hard rock mais pesado e elaborado do que alguns emergentes dos 70 praticaram. Com sua data de formação oficializada em 1981, a banda debutou em estúdio 1984. Naquele ano, coletânea “SP Metal” mostrava o poder de fogo da banda, nas faixas “Cabeça Metal” e “Delírio Estelar”. A partir daí a banda galgou cada vez mais espaço com seu show enérgico e divertido, até que em 1987 a banda conseguiu lançar seu primeiro LP, “Beijo Fatal”, que saiu pela então major RCA e chegou a vender 78 mil cópias. Mais tarde a bolacha foi lançada em forma digital.    


            Após uma pausa em sua carreira nos anos 1990, a banda retornou em 2004 e soltou em 2010 seu segundo álbum, “Simplesmente Rock”, que mostrou um grupo maduro e que caprichou na produção sonora. Abriu recentemente shows de grandes nomes internacionais como Scorpions, Twisted Sister, UDO, Uriah Heep e The Rods. A banda conta hoje em suas fileiras com China Lee (vocal), Daniel Beretta (guitarra), Junior Muzilli (guitarra e voz), Diego Lessa (baixo e voz) e Marcelo Campos (bateria).

               Conversamos com o vocalista China Lee (presente desde as primeiras formações do grupo) e com o baixista Diego Lessa, sobre passado e presente do Salário e sua visão sobre a cena do rock/metal do Brasil hoje em dia.



Ready to Rock - China, como você, dentro da banda enxerga a importância do Salário Mínimo na história do rock e hard-rock brasileiros?
China: Eu acho que a banda contribuiu e vem contribuindo para o Heavy Metal Nacional, somos uma banda que faz bastantes shows e trabalha muito em prol da cena.

RR - A banda cessou as atividades em 1990, retomando-as em 2004. Porque a banda acabou naquela época e o que motivou essa volta?
China: A banda acabou naquela época porque eu resolvi sair da banda e seguir novos trabalhos com outros músicos no Extravaganza. A motivação da volta foi, após um show na Led Slay, onde quase mil fãs cantavam nossas musicas enlouquecidamente, foi quando percebi que a banda Salário Mínimo estava mais viva do que nunca mesmo depois de tantos anos longe dos palcos.



RR - “Simplesmente Rock” é um álbum que esbanja variedade. Os efeitos de wah-wah estão por toda parte, têm músicas pesadas como “2000 Anos” e “Delírio Estelar”, outras mais cadenciadas e cheias de groove (“Sofrer”, “Sob Seus Pés”), baladas (“Voyer”, ”Ao Menos em Sonho”) e outras na linha hard tradicional, como “Homens com Pedigree” e “No Seu Mundo” (totalmente ‘vanhalística’). Como foi o processo de composição do álbum?
China: Havia muitas musicas paradas que foram oferecidas para mim por compositores que eu gosto muito e já trabalharam comigo em outros projetos anteriormente e inclusive no próprio Salário e com a nova formação fomos escolhendo as melhores musicas.

RR - A faixa “2000 Anos” tem uma letra interessante. Como foi sua inspiração?
China: Essa musica é de um dos compositores que fez parte da banda na nossa volta em 2004. Alan Flavio foi guitarrista da banda e compositor dessa musica, ela tem uma forte influência espiritual, ele desenvolveu essa musica lendo livros espíritas. Quando ele me mostrou a musica, eu me apaixonei por ela e tentei interpretar da melhor maneira possível.

RR - Gostei muito da produção do disco. Como o trabalho de Henrique “Babbom” (AudioPlace) foi crucial para esse resultado?
Dieego Lessa: Sim, o Baboom foi e é um dos melhores produtores que conhecemos. Um profissional excelente, ele veio não só para somar, mas sim para multiplicar dentro da banda, o “Simplesmente Rock” foi o nosso primeiro trabalho com ele e gostamos muito do resultado que chegamos no disco, ele também é o produtor do nosso novo single “Fatos Reais”, com certeza foi o primeiro de muitos com o Henrique Baboom.

RR - O disco foi lançado também na Europa pelo selo português Metal Soldiers Records. Como você tem sentido a reação dos fãs (brasileiros e estrangeiros) com relação ao “Simplesmente Rock”?
China: A aceitação foi melhor do que imaginávamos, muitos fãs gostaram muito, outros não, até porque não conseguimos agradar a todos, mas bem que gostaríamos, mas o interessante é que esse disco vem conquistando lentamente os nossos fãs mais radicais.



RR - Após o lançamento de “Simplesmente Rock”, a banda lançou o single “Fatos Reais”, que faz uma crítica social em face da realização da Copa do Mundo no Brasil. Qual sua visão sobre esse evento e essa faceta política da banda?
Dieego Lessa: Só para esclarecer algumas coisas, não somos contra o futebol e muito menos contra esse evento mundial, nós temos algumas objeções em relação àqueles que governam nosso país e com todos aqueles gastos absurdos e superfaturados com esse evento aqui no Brasil, em vez de gastarem com o que realmente é e era necessário, só se preocuparam durante quatro anos com essa festa dentro do nosso quintal e esqueceram das reais prioridades.

RR - Têm planos para um próximo álbum de estúdio?
China: Sim, claro, temos muitos planos, estamos finalizando as composições para o novo álbum e em breve estará na boca de todos os bangers.

RR - Como anda o mercado de shows para o Salário Mínimo nos dias de hoje?
China: Levando em consideração que estamos no ano de copa e eleições, não podemos reclamar, para nós está melhor do que esperávamos, temos shows até março de 2015, mas o ano de 2013 foi muito melhor.

RR - Como você vê o cenário atual do rock (principalmente o underground) no Brasil?
China: A cena está crescendo mais e mais, muitas bandas voltando, novas e excelentes bandas surgindo e o publico cada vez mais valorizando a cena.

RR - A compra de discos está relegada hoje a uma classe de fãs de fazem questão de produtos originais. Mas sabemos que uma gigantesca parcela de consumidores de rock vai fazer o download. Você acha que as tendências tecnológicas da internet ajudam ou atrapalham as bandas autorais?
China: Eu acho que ajudam, os fãs podem fazer o download na internet para ter uma prévia do disco, caso goste ele pode comprar o disco físico.

RR - Olhando pra traz, e relembrando a árdua trajetória das bandas hard/metal nos anos 1980, qual você consideraria a maior conquista do Salário?

China: Sobreviver até hoje e ter na nossa plateia, um publico que é na sua maioria constituído por jovens entre 18 e 25 anos, isso nos dá cada vez mais força para continuarmos a nossa missão sem descanso, até porque a gente sem os nossos fãs não seriamos ninguém.




Para maiores informações sobre a banda, acesse: http://www.bandasalariominimo.com.br

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Korzus prestes a lançar novo disco, "Legion"

O Korzus é reconhecido e respeitado pela maioria dos fãs da música pesada nacional como uma das maiores instituições no estilo thrash do país. Enquanto nosso maior representante internacional, o Sepultura, mesclou, ao longos dos anos, elementos variados em sua música, o Korzus manteve-se firme às raízes agressivas e clássicas do thrash. Depois do super brindado e excepcional “Discipline of Hate” (2010), a banda lança (em escala mundial) nas próximas semanas seu novo álbum, “Legion”. Batemos um papo com Marcello Pompeu, vocalista da banda, sobre o lançamento e outros tópicos que envolvem o Korzus e a cena do metal nacional.



ReadytoRock - O Korzus estará lançando em breve “Legion”, sétimo disco de estúdio da banda, celebrando 31 anos de carreira. Lá em 1983, você imaginaria que a banda chegasse a este patamar?
Marcello Pompeu - Nunca bro, fico muito feliz com isso, saber que fiz da minha vida a minha paixão é muito legal.

RR - Eu considero “Discipline of Hate” (2010) a melhor produção do Korzus, pois além da tradicional qualidade das composições, o trabalho tem uma qualidade sonora fantástica. O que podemos esperar do “Legion”, em termos de musicalidade e produção?
Pompeu – Bom, eu acho melhor...mas sou suspeito.....(risos).

RR - “Legion” manterá a tradição da banda de incluir um faixa em português?
Pompeu - Sim, a faixa chama-se “Vampiro”.

RR - Qual a previsão de lançamento de “Legion”?
Pompeu - Dia 24 de outubro na Europa e Brasil, e dia 2 de novembro nos Estados Unidos.

RR - Nestas três décadas muita gente (onde me incluo também) considera o Korzus a principal banda de thrash tradicional (vamos dizer assim) do Brasil, respeitada e reverenciada por dezenas de bandas que fazem música pesada em nosso país. Como é se sentir referência para uma nova geração de músicos?
Pompeu – Bom, nunca pensei nisso, mas se for mesmo é uma grande honra saber que nosso trabalho estimula novos músicos, novas bandas, pois nosso objetivo é deixar a cena brasileira muito forte em todos os termos e seguimentos do metal. Estamos muito felizes como as coisas estão indo aqui no Brasil, vemos que nossa batalha não foi em vão.

RR - O Korzus esteve algumas vezes em turnês internacionais. Como é o hoje o mercado de shows, norte americano e europeu, para a banda?
Pompeu - Quando surge algo que realmente vai de encontro com nossas necessidades, e com a nossa visão do que é o melhor para o Korzus,  nós fazemos. Agora, se for papinho...mimimi....pegadinha, a gente tá fora bro. O Korzus não precisa de farelo porque já tem seu mercado aqui, se for pra ir pra fora, tem que ser bola 7.


RR - Em entrevistas há algum tempo você dizia que o crescimento da banda se deu pelo conceito adotado de tratá-la como uma empresa, onde cada membro teve sua responsabilidade definida. Este modelo continua funcional para a banda?
Pompeu - Sim, é isso que nos torna forte e acima de tudo.

RR - O Korzus teve lançada sua licença própria de cerveja, a exemplo de várias outras bandas nacionais. Essa aderência do nome da banda a outros produtos de marketing seria uma ferramenta para agregar mais visibilidade à divulgação da sua musica?
Pompeu - Não, simplesmente para explorar mais a marca e nosso nome. Cerva é negócio, metal é musica.

RR - Uma pergunta que sempre faço às bandas que entrevisto e não seria diferente com o Korzus. Como você vê o atual mercado de shows nacional, no tocante obviamente à seara do heavy metal?
Pompeu - Na música, especialmente a pop é uma merda, só tem música de ladrão e mina ligeira. No metal as coisas estão crescendo, a qualidade aumentando e banda boa tem público. Banda ruim, enquanto não melhorar, vai ficar reclamando. Isso faz parte, e o principal é que a renovação esta ótima.

RR - Você atua também como produtor e tem contato com muitas bandas novas. Algum nome específico que você vê como possibilidade de se tornar também uma grande banda do metal nacional?
Pompeu – Sim. A Nervosa, por exemplo, já é. A cena metalcore/hardcore está forte. A nova onda do novo thrash cantado em português está tomando uma dimensão fantástica. Tem também o Noturnall, Tierra Mystica, Terra Prima, Válvera, Jack Devil, Woslon, enfim, várias bandas fazendo barulho e movimentando muito a cena.

RR - Nem vou discutir sobre o impacto da tecnologia no mercado da música (pois é algo irreversível). Apenas questionar se a febre popular das redes sociais é uma ferramenta que ajuda de forma relevante o Korzus, na demanda de shows, por exemplo?
Pompeu - Você tem que se adaptar senão morre, e o Korzus também está adaptado ou adaptando-se, sei lá...Mas estamos ligados em tudo o que rola nesse sentido.

RR - Até onde você acredita que o Korzus se manterá forte e ativo? Vemos nomes como Black Sabbath e Judas Priest lançando discos maravilhosos, praticamente no final de suas carreiras, com seus músicos passando dos 60 anos. Claro que trata-se de estilos bem diferentes da música agressiva e enérgica que o thrash representa. Na sua visão, até quando nomes como Slayer, Kreator, Sepultura e Korzus poderão manter-se nesse padrão de música extrema?
Pompeu - Até (onde) a saúde deixar....(risos).....Todos nós vamos precisar dela para ir até onde ainda não imaginamos, nem que seja no inferno....(risos)


RR - Obrigado por sua atenção, e tenho certeza de que “Legions” será outra grande obra do Korzus, mantendo-o no topo do estilo no país. Fique à vontade para deixar alguma mensagem para nossos leitores.
Pompeu - Obrigado pelo espaço e se preparem - o “LEGIONS” está chegando pra abalar. Abraços a todos e fé no metal brasileiro, vejo vocês no mosh pit.