terça-feira, 28 de junho de 2016

King Bird retorna mais forte que nunca com "Got Newz"


Quando lançou, em 2005, o álbum “Jaywalker”, a banda paulistana King Bird não só cravava na história do rock nacional um dos melhores discos de estreia como também perpetuaria um dos melhores trabalhos já surgidos no país. Um álbum eximiamente bem composto, variado e extremamente agradável, o disco mostrou ao público uma banda que bebia de referências do hard rock setentista, misturando uma pegada áspera com doses alucinantes de melodia, em temas empolgantes como "Underdog", "Old Jack", "Down the Crosswords" e "Mother Nature". Em 2008, veio o segundo play, "Sunshine", que manteve a pegada do primeiro, com algumas doses de modernidade na produção. Então, o esmerado vocalista João Luiz deixa a banda para se dedicar ao Casa das Máquinas. Uma aura de dúvidas pairou sobre os fãs do grupo, até que, em 2014, fora anunciado um novo vocalista Ton Cremon,  e divulgada a faixa inédita "Daybreak". Enfim, em 2016, chegou ao mundo o novo disco do grupo, "Got Newz". Em nota no seu site, Silvio Lopes (guitarrista) afirmou: "Pensamos até em intitular o disco como 'ReBird', mas achamos que o pessoal do Angra ia ficar chateado por causa do 'Rebirth'". King Bird tem hoje em suas fileiras, Silvio Lopes (guitarra), Marcelo Ladwig (bateria), Fábio Cesar (baixo) e Ton Cremon (voz).




"Got Newz"

Mudanças ocorreram? Sim, além do vocalista, o novo álbum mostra uma sonoridade mais atual, sem se desgarrar das características básicas do hard rock (nos efeitos, palhetadas e levadas). Às outroras saudáveis incursões em nomes como Rainbow e UFO convivem lado a lado com referências a um hard rock mais contemporâneo, em nomes como Mr. Big, Whitesnake e Talisman. A produção (timbragem e mixagem) conseguiu evidenciar objetivamente todos seus elementos (baixo, bateria, guitarra e voz) de forma lapidada, sem descaracterizar seu estilo de composição. A troca de vocalista, processo que costuma ser crucial no padrão sonoro de qualquer banda, se mostrou incrivelmente tranquila, no que se refere aos novos resultados. João Luiz tinha um timbre mais grave, mas as novas músicas (assim como os trabalhos anteriores) sugerem tons altos e rasgados, e nesse ponto Ton mostrou toda sua competência.

O disco todo é nivelado no topo da agradabilidade, mas vamos elencar alguns destaques. "Immortal Rider", com um riff certeiro, bem acompanhado de um marcante baixo, abre o disco, com direito a coros que antecedem refrães de impacto, na mais acepção visceral da palavra. "Break Away" vem ancorada no peso e na levada clássica da banda. "Gonna Rock You" se caracteriza por sua cadência com o baixo em destaque. Uma faixa que celebra o rock and roll, em sua veia melódica e lírica. "Daybreak" (a citada faixa da pré-divulgação) tem cara de hit do disco. Levada com pelo precisão do baixo, a faixa conta com riffs certeiros e um refrão de alto poder de contágio.

Em "The Road You Ride", Ton dá uma show à parte no tocante da interpretação e "Doomsday" mostra um lado mais metal com suas paletadas (lembra algo da "The Zoo", do Scorpions). "Smoke Signal" é mais balanceada e com uma bela variação nas linhas de bateria. O disco tem duas baladas, "Years Gone By" (naquele tradicional formato dedilhado inicial, e se incorpora com fraseados de guitarra, ganha peso e vocais calmos) e "Freeze Frame my Life" (com uma levada colada no blues e ótimos solos de guita).

E, pra finalizar com chave dourada, "Last Page" encerra o disco de forma magistral. É uma faixa clássica do hard orgânico, cadenciada, com vocais dramáticos, grandes viradas de bateria, baixão estalando na cara e recheada de solos de guitarra. O grande destaque do disco e com certeza uma das melhores músicas que o pássaro rei já concebeu.
"Got Newz" tem uma qualidade sonora no topo das produções nacionais e tem tudo para colocar a banda entre as maiores de nossa cena alternativa. Evidentemente que o cenário alternativo do rock brasileiro tem todas as dificuldades comerciais e divulgatórias que se possa imaginar, mas esse álbum tem tudo para fazer o pássaro voar tão alto onde jamais esteve.

A Ready conversou com o baixista Fábio Cesar, que dá mais detalhes riquíssimos sobre a composição e a produção do novo trabalho.

Ready to Rock - Após "Sunshine", a banda lança um novo álbum após 8 anos. Como foi a produção do disco?
Fábio Cesar - Entre os CDs "Got Newz" e "Sunshine", produzimos em 2012 o EP "Beyond The Rainbow", com a produção de Henrique Baboom Canalle,
ficamos muito satisfeitos com o resultado final deste trabalho o que nos motivou a trabalhar novamente com ele nesse novo álbum. Como investimos mais tempo na produção de "Got Newz", ficamos realmente satisfeitos com a qualidade e o resultado alcançado, um som bem mais orgânico, esperamos que agrade também ao público.

RR - "Got Newz" traz a estreia do vocalista Ton Cremon. Isso mudou algo no som do grupo?
FC - Não acho que ele tenha mudado o som do grupo e sim acrescentado.
O álbum "Got Newz" já possuía essa pegada um pouco mais hard rock desde a sua concepção. Acho que as melodias criadas pelo Ton e o seu timbre de voz encaixaram perfeitamente nas músicas, isso foi bem impressionante. O Ton é um excelente vocalista e um grande talento, a sua entrada agregou e acrescentou muito a banda.



RR - Vejo em faixas como ""Immortal Ride", "Gonna Rock You" e "Doomsday" que o som da banda apresenta uma nova roupagem, seja na timbragem, seja na forma de compor. Como você vê essa mudança?
FC - "Immortal Rider" foi composta quase que integralmente através de um riff de baixo, o que diferente em "Gonna Rock" e "Doomsday". Estas duas foram compostas a partir de riffs de guitarra. Mas de qualquer forma a criação para este álbum saiu de forma bem natural. Não tivemos a preocupação se iria soar hard/heavy, 70/80/90, etc. Cada integrante da banda vinha com uma ideia ou um riff e dai a musica ganhava a forma final.  Interessante é que a pegada dessas três musicas citadas são bem distintas, o que reforça a ideia de não ter um conceito estabelecido ou um modelo a ser seguido quanto ao estilo de musica. Quanto à mudança de timbragem, em especifico ao contrabaixo, esta mudança se deve ao fato também do instrumento utilizado nesta gravação. Eu utilizei para todas as faixas um Precision, enquanto  "Sunshine" usei um Jazz Bass. O Silvio usou novamente Les Paul e Stratocastar mas trabalhou com diferentes amplificadores e pedais em cada faixa, o que deu um sou mais característico de acordo com o clima de cada música.

RR - Já em "Break Away" e "Smoke Signals", eu vejo a veia mais orgânica e setentista da banda. Ambos os momentos convivem bem no disco, concorda?
FC - Sim, como eu disse as músicas nasceram de forma espontânea, sem a
preocupação de serem rotuladas ou ligadas a um estilo ou época do rock, uma das características da banda é esse resgate do rock dito 70 porém trazendo aos dias atuais, sem ficar preso na timbragem/linguagem ou no tipo de produção da época.

RR - Outra mudança que vejo é a adição de vocais dobrados em algumas faixas. É um recurso bem interessante. Esses arranjos foram ideias do Ton?
FC - Aí tem o dedo, no bom sentido (risos), do produtor Henrique Baboom Canalle, e como você mesmo disse ficou interessante o que nos levou a adotar em algumas musicas ou em alguns trechos específicos.

RR - A faixa "Last Page" é simplesmente fantástica. Como ela foi concebida?
FC - A ideia principal da música veio do Silvio; Ele compôs em sua Double Neck, uma viagem meio "zeppeliana" e quando ouvimos nos remeteu nesse clima meio "No Quarter", eu levei a ideia do refrão para os ensaios e junto
com o Marcelo Ladwig fechamos a musica. Outros destaques nessa música são também a bonita letra do "quinto elemento do King Bird", o Giles Beard, bem como a interpretação que o Ton colocou com sua linha de voz "chega faz arrepiar" (risos), esta musica fecha o CD com um ar mais épico.

RR - Voltando um pouco no tempo, por que o vocalista João Luiz deixou o grupo? Você atua com ele no Casa das Máquinas, correto?
FC - O João Luiz estava com outros desafios pessoais os quais precisava se dedicar e seria muito difícil ele conseguir dividir seu tempo para
dar o foco que a banda precisava, desta forma a decisão foi unânime para
ambas as partes que o melhor seria sua saída. O King Bird é
uma família, nos conhecemos há muito tempo e somos muito amigos, a decisão foi em consenso e amigável. Sim, estou com ele no Casa das maquinas desde 2010, mantemos a mesma amizade e profissionalismo de sempre, não temos nenhum problema quanto a isso.

RR - Como você vê o King Bird dentro do cenário rock and roll do país?
FC - Pois é... O cenário...(risos). Falando serio, hoje estamos num momento muito delicado, aquele cenário de antigamente com bandas unidas e público presente nos shows não tem pintado muito, quem trabalha com rock autoral sabe bem o que estou dizendo. A gente no King Bird, assim como as bandas de rock autoral nos dias de hoje, estamos tentando não deixar morrer de vez a cena. Existe muita banda boa no Brasil, mas será que o publico está de fato
valorizando estas bandas? Será que há também espaço na mídia em geral pra que as bandas autorais de rock'n'roll possam mostrar seu trabalho e seu potencial? Deixo para o leitor esta reflexão.

RR - Voltando ao disco novo, como está sendo recebido "Got Newz"?
FC -
Tivemos a informação que vem sendo muito bem recebido pelo
publico, inclusive  nestas primeiras semanas de venda, está entre
os mais vendidos em uma tradicional loja na galeria do rock, a Die Hard, que é nossa parceira desde o início. É muito gratificante receber este tipo de notícia numa época de predominante domínio do downloads. Pelas redes sociais temos visto também muitos posts e comentários de pessoas que estão curtindo o "Got Newz", isso é realmente gasolina pra nós!!

RR - A qualidade do álbum realmente surpreende. Existe a expectativa (ou algum plano em andamento) para trabalhar a música do King Bird também em outros países?
FC - Sim, como aconteceu com o "Sunshine", que foi lançado em Portugal pela Metal Soldiers Records, estamos estudando a viabilidade de lançar este trabalho também lá fora, acompanhado quem sabe ate de uma possível tour. Estamos trabalhando pra isso.

RR - O King Bird está em seu 3º álbum. Algumas bandas costumam lançar algum trabalho ao vivo após alguns trabalhos de estúdio. Existem planos para um CD/DVD?
FC - Neste primeiro momento estamos focados em divulgar o máximo o "Got Newz", mas claro que, para um futuro próximo, temos intenção de lançar este material audio visual, até para o publico conhecer também nossas músicas antigas com este novo line up. Achamos que este pode ser sim um próximo projeto da banda.

RR - Passados 13 de carreira, qual o grande momento da trajetória da banda?
FC -  Estar ainda na ativa e lançando novos álbuns. Isto nos dias de hoje pode ser considerado como um grande momento. Manter uma banda de rock em atividade diante de tanta adversidade e a conciliação com o dia a dia caótico de nossas vidas é uma vitória, sem dúvida. Claro que também não podemos esquecer as aberturas que fizemos em shows internacionais para os quais tivemos a honra de ser convidados (Uriah Heep, Joe Lynn Turner, Graham Bonnet), dividir o palco na mesma noite com seus ídolos é muito prazeroso e uma realização.

RR - Quais são suas expectativas para o futuro do King Bird?
FC - Trabalhar muito e levar o som da banda a todo lugar possível dentro e fora
do Brasil através de nossos shows, CDs, clipes e mídias digitais.


RR - Fique à vontade para deixar qualquer mensagem para nossos leitores.
FC -
Em nome da banda gostaria de agradecer a você pela entrevista e aproveito para convidar os leitores a conhecer nosso novo CD "Got Newz", que já está disponível nas plataformas digitais (Spotify, Cd Baby, iTunes, etc...), e também está à venda na nossa loja virtual (link  pra ZN STORE em  wwww.kingbird.com.br), Livraria Cultura, bem como na loja física (e virtual) da Die hard na galeria do rock, em São Paulo. Um grande abraço a todos !!


Mais informações sobre a banda em www.kingbird.com.br ou em https://www.facebook.com/KingBirdBand.