sábado, 6 de novembro de 2010

Maestrick: pérola brasileira brotando no prog metal

O veterano rock progressivo e o jovem prog-metal tem uma certa rejeição entre os muitos apreciadores da música em geral. Primeiro porque sua estrutura musical com mudanças de andamentos e incursões rítmicas tornam a música não tão simples de ser digerida. E com relação ao prog-metal traz consigo a tão mencionada auto-indulgência, onde o músico supostamente prefere mostrar sua técnica do que funcionar em prol da música. Mas quem conhece os estilos a fundo, sabe que a maioria destas bandas tem qualidade e usa a complexidade a favor da função artística da música, que é soar interessante e emocionante aos ouvidos. E nesse ponto, que se enquadra novas bandas, como a excelente Maestrick de São José do Rio Preto/SP.

Na ativa desde 2004, a banda conta hoje com Fábio Caldeira (vocal/piano), Danilo Augusto e Maurício Bortoloto (guita/backings), Renato Somera (Baixo/vocal adic) e Heitor Matos (batera).

O que nos proporciona então o trabalho do Maestrick.

São 2 músicas nesse EP. A produção está perfeita. Desde as composições, os arranjos e a desenvoltura técnica dos garotos.

A primeira faixa “H.U.C.” entra logo de cara numa riferama pesada, dando mostras que a variação é o forte da sonoridade. Intervenções de teclado, em meios a vocais ora dramáticos, ora tranquilos, e até mesmo com algumas nuances guturais lá no meio da faixa. Em se falando de vocal, como é agradável ouvir Fábio. Todo vocal de metal deveria ser assim. Nada forçado, respeitando seus limites e evidenciando seu ótimo alcance.

Musicalmente falando, vamos nos deparar claro com referências a Symphony X, Evergrey, sem contudo soar como cópia.

A segunda faixa “Aquarela” começa calma e vai ganhando força, sem ter a rapidez da primeira. Mais uma vez o vocal bem trabalhado mostra sua força, em meio a variação. Esta faixa no entanto é mais homogenea, com chorus meio hard rock. Aliás o refrão é daqueles que ficamos cantando por horas......A força dos backings se destaca aqui também. E solos limpos em profusão.

Maestrick rende portanto uma agradabilíssima surpresa para os amentes do metal e prog-metal.
Que venho logo o full lengh, que segundo informações da banda está sendo mixado nos EUA. Tô na fila pra comprar.

O Maestrick está brotando pra música ainda. Mas a julgar por essa primorosa demonstração, já brotou forte, vigoroso e mostrando ao mundo que tem qualidades pra figurar futuramente entre as grandes e reconhecidas bandas nacionais (e porque não inter?). Se mantiver-se focado em seus propósitos, sempre apoiado num trabalho profissional de produção, estará lá com certeza.

Contatos:

www.maestrick.com/
http://www.myspace.com/maestrick

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Adrenalize, uma fantástica surpresa do hard nacional



O mercado da música mudou no mundo todo. É um processo irreversível. Grandes gravadoras, artistas milionários. Isso é coisa do passado. Como se tem que tirar sempre algo de bom de uma situação ruim, o que talvez seja privilegiado hoje seja o talento do artista. Algo que se fazia no fim dos anos 60, quando ainda não era algo estrelado ser músico de sucesso.

E do Brasil vem uma grata surpresa. Fazer rock nacional, cantando em português é algo difícil. Uma banda de rock de qualidade (não essas coisas que aparecem na TV), além da óbvia dificuldade de exposição na mídia ainda enfrenta um acerta aversão do público underground mais adepto ao inglês como língua universal do rock.

Sem falar que é preciso muita perícia pra casar a nossa língua com a harmonia poética que a distorção pede. Golpe de Estado fazia e faz isso muito bem.

Mas eis que, de uma propaganda de um site de rock, uma banda chamada Adrenalize disponibilizou à grande massa rockeira do país seu disco inteiro para download. Uma prática cada vez mais comum.

E olha que o que se ouve em “Adrenalize”, o disco, é algo que se classifica facilmente como viciante. Hard rock bem composto, produzido e cheio de melodias.

O trio formado por Mauricio Abecia (Bateria), Mário Ross (Guitarra/Vocal) e André Chasseraux (Baixo) concebeu em “Adrenalize” um dos melhores discos de rock nacional dos últimos anos.

O disco abre com a quebrada e direta “Na Contramão”, já evidenciando a força que os backings têm na música da banda. Nessa linha seguem “Fora do Ar” e “Só se for Agora”, com seus refrãos fortes e grudentos.

A faixa “Atriz, Modelo & Manequim” é hard rápido, com uma levada bem humarada sobre essas modelos relâmpagos de televisão. Aliás, o que permeia talvez o disco todo seja mesmo o bom humor. Que faz muita falta às vezes ao rock atual.

O lado balada do disco está muito bem representado nas faixas “Mais uma Chance” (balada densa e com um curto mas belo solo) e na maravilhosa “Páginas do Passado”.

A faixa “Já Ouvi isso Antes” conta com a participação de Roger Moreira (Ultraje), cuja levada rock and roll nos lembra sim algumas bandas dos 80.

Mas pra mim, o grande destaque do disco é “Perdendo o Controle”. A faixa, que tem até videoclip, é daquelas que entram na cabeça e não saem mais. Vocais um pouco dramáticos tranformam estrofes calmas num hard de pegada contagiante em seu refrão.

Enfim, um disco simples e genial ao mesmo tempo. Não precisa de firulas, orquestras ou viagens progressivas pra se fazer um agradável e porque não memorável disco de rock. Prova que hoje em dia que, com talento e garra, é possível criar sim algo interessante e novo, no meio de um estilo tido por muitos como estagnado.

Vida longa ao Adrenalize. Prova que o Brasil produz bandas de qualidade e absolutamente consumíveis por qualquer fã de rock, não importa qual subestilo se enquadre.


Serviço:
Adrenalize
www.adrenalize.com.br