terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Em Breve!!!!


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A Estação da Luz: um brilho do Rock Setentista




Sonoridade é um elemento que os músicos buscam, mesmo quando elas não se adéquam ao padrão comercial de cada era. Identidade é algo que se adquire quando o artista trabalha sua música com sinceridade e crença no seu trabalho. Falando de rock, uma das bandas que trilham por sua identidade e faz um trabalho de louvável valor artístico é a Estação da Luz, banda de São José do Rio Preto/SP.

Quem ouve o recém-lançado trabalho do grupo, o CD autointitulado, vai viajar numa música atemporal, algo que lembre o passado, mas tem o sabor prazeroso do presente. Melodias setentistas, instrumentação recheada de teclados e guitarras com o cheiro dos 70, uma aura psicodélica do rock ingênuo e complexo da virada dos 60, tudo isso com letras em português, muito bem encaixadas nas estruturas da melodia.

Raramente vemos bandas no Brasil fazendo esse tipo de música. E a Estação vem de Rio Preto(SP) mostrar que tem um potencial musical forte e criativo, emoldurado pela psicodelia do rock setentista. Com sete anos de carreira e muitos shows pelo Brasil, a banda chega num patamar da carreira cada vez mais aprofundada na sua proposta artística. E lança agora seu primeiro full lenght, já que havia lançado em EP de covers anos atrás, com objetivo de divulgar seu trabalho.

"A Estação da Luz", o CD, é um trabalho rico em muitos detalhes. Sua música é marcada pela voz suave de Renata Ortunho, que desliza sobre uma base sonora composta de guitarra (Cristhiano Carvalho) e teclado (Alberto Sabella) com muita piscodelia encorpada e a marcação rítmica de baixo (Vagner Siqueira) e bateria (Junior Muelas) que transpiram um "q" de prog. As músicas no geral têm refrães fortes e com muito clímax dos elementos em conjunto e com muito capricho nos arranjos.

A primeira faixa, "Desconforto" tem um fraseado de guitarra que brinca com o jazz-fusion e tem uma ótima variação nos andamentos. "O Fim" vem marcada pela guitarra que abre mordendo de cara, a cadência vocal flui de maneira crescente, enquanto o refrão mostra as vísceras conjuntas de guitarra, bateria e backing vocals. É candidata a hit do disco, e seu desfeche é bem sacado com vocais backings e principal se entrelaçando.

"Siga o Sol" é faixa que mais lembra Mutantes, com muitos efeitos de teclado e a voz de Renata indo a tons bem altos. "Desespero" é uma das melhores do disco, com uma bela poesia da letra e com uma guitarra bem encorpada. "Esperto ao Contrário" tem uma cadência bem funkeada, os vocais principais se revezam entre vozes masculinas e a de Renata, sendo que faixa tem um cheiro de Secos e Molhados.

"Tempo Estranho" começa com uma suíte entre teclado e uma pegada de guitarra, servindo de fundo para uma letra que, de forma inteligente e sem ser piegas, homenageia e cita nomes das bandas nacionais dos anos 70, Som Nosso de Cada Dia, O Terço, Mutantes, Patrulha do Espaço, Bixo da Seda, Veludo Elétrico, Joelho de Porco, Moto Perpétuo, Recordando o Vale das Maçãs, A Bolha, Terreno Baldio, Casa das Máquinas. Todas elas servindo como parte dos versos, num desafio muito bem desenvolvido pela banda. No final vem aquilo que parece ser a marca registrada da Estação: um desfecho com jogo de vozes e participação acentuada dos teclados, numa viagem sonora e contagiante, como faziam nomes como Uriah Heep e Deep Purple em alguns de seus temas.

A próxima faixa, "Reta Tangente" tem uma letra com uma mensagem bem positiva, e vem com uma levada bem melódica. Outra que remete a Secos e Molhados, com uma boa intensidade no refrão e solos de guitarra bem sacados. "Canção para um Amigo" é a faixa mais rica do disco, numa embriagante harmonia, com os efeitos fantasmagóricos de teclado (que Ken Hensley muito se utilizava). Começa suave e ganha força na distorção da guitarra e na pegada da bateria. É uma música bem densa e rica nos arranjos e tem uma atuação bem marcante e evidenciada do baixo.
"Par Perfeito" fecha o disco na condição de bônus, pois é uma antiga canção da banda, que resolveu manter a gravação original. A incursão de teclados a lá Beatles abre a música, que apresenta guitarras com um bom peso e uma agressividade relativa dos vocais masculinos. Sua pegada rápida lembra em alguma coisa o trabalho do Made in Brazil. É com certeza um clássico da banda, que nunca poderá faltar nos shows.

São oito faixas, mais o bônus, num trabalho que não se torna de longa duração. Outra característica das bandas setentistas, que faziam o suficiente para ser ao mesmo tempo, curto, direto e brilhante. A maioria das faixas é creditada ao tecladista Alberto Sabella, sendo que algumas têm a assinatura de Junior Muelas e Renata.

A proposta da banda não é "voltar no tempo", mas revisitar a essência e a arte daquele rock psicodélico produzido nos 70. E é essa essência que o Estação nos trouxe de volta, de forma simplesmente brilhante.



quarta-feira, 30 de maio de 2012

ByWar esbanja competência em 4º disco



Muito tem se falado deste revival do thrash metal oitentista. Dezenas de bandas tem praticado aquela música direta e técnica, sem nada de efeitos ou melodias propositalmente sujas, como se pragmatizou chamar-se de New Metal. Mas o que muita gente se esquece é que, muitas bandas que hoje fazem trabalhos excelente tendo o thrash tradicional como referência estão na cena há muitos anos. Há mais de uma década.

Como é o caso dos paulistas do ByWar, formado em 1996 em São Caetano do Sul/SP, que lançou recentemente seu 4º disco de estúdio (sem considerar splits e participações em coletâneas), o excelente "Abduction", de 2011.

Este último prima por apresentar ao ouvinte um thrash muito bem produzido, composto e elaborado em termos de melodia e harmonia. Sem se prender a um padrão (Bay Area, Germânico), o ByWar desfila um repertório variado, com agressividade e técnica nas medidas certas.

O disco, após a intro, entra com a veloz faixa-título, "Poltergeist Time", com vocais à la Kreator e ótimos backings. “Abduction” já é um tema mais cadenciado, começa bem sabbática pra depois acelerar. É a faixa mais longa, com seus 7:06 minutos. Licks e solos melódicos em profusão, esta uma característica marcante em todo o play. Riffs cavalgados marcam “Toward the Unreal”, que, em alguns trechos lembram algo do Metallica de “Kill´em All”.

Outras faixas que eu destacaria seriam “Handful of Evil”, talvez a mais paulada do disco, “Black Spiral of Death”, com a rifferama fervendo as 6 cordas, e “Consciostly Dead”, que fecha o trabalho, com bela colocação dos solos e alternâncias com partes mais densas.

O time que gravou o CD conta com Enrico Ozio (Bateria), Hélio Patrizzi (Baixo),  Adriano Perfetto (Guitarra - Vocal), Renan Roveran (Guitarra. Na co-produção teve Brendan Duffey, que já fez trabalhos com Black Crowes, Almah, Dr. Sin, dentre outros. Ambos banda e produtor fizeram um excelente trabalho, pois o som final do disco ficou nítido, limpo, onde se ouve com tranquilidade a ação de todos os instrumentistas.

“Abduction” é daqueles albuns agressivos e prazeirozos de se consumir. Não devendo nada á qualquer banda gringa desta nova geração de thrash. Mais uma força brasileira, trilhando o caminho profissional e sério de nosso metal.

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