quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Pinga com Groselha lança primeiro CD, o irreverente "Brega Rock"


O cenário do rock brasileiro é composto por bandas que apresentam uma diversidade deflagrante na abrangência lírica.  Composições que tratam de amor, violência, religião, política, existencialismo. E algumas delas tem o humor como tônica. Velhas Virgens, Motorocker, Raimundos, Ultraje a Rigor, cada um em seu caminho musical, são exemplos de artistas que possuem em sua trajetória letras que assimilaram o humor como base. E um nome novo no cenário que aposta nessa fórmula é o Pinga com Groselha.

Formado em São José do Rio Preto/SP, em 2011, o Pinga com Groselha tem hoje em suas fileiras Carlos Vinícius (guitarra/vocal), Daniel Leme (baixo/backings) e Ricado Neves (bateria/backings). Neste final de 2015 a banda lançou seu primeiro CD, intitulado "Brega Rock". Analisando o disco podemos categorizá-lo em duas frentes: a parte instrumental se compõe por temas forjados hora por um rock direto e pesado (algumas puro hard rock), algumas com distorções típicas de heavy metal, outras com forte acento pop e outras ainda com algumas diversas roupagens musicais. A segunda frente diz respeito às letras. Humor é algo subjetivo, mas é nítido quando nos deparamos com essa arte feita sem exageros. Ou seja, o Pinga não se enquadra na categoria "banda engraçadinha". A despeito do título do álbum "Brega Rock", não existe similaridade instrumental entre o termo "brega" (utilizado para classificar aquela música popular-romântica, feita por nomes como Waldick Soriano, Reginaldo Rossi ou Amado Batista). Talvez a referência venha da irreverência das letras, cujas sacadas dos temas, quase a maioria, satirizam histórias sobre aventuras recheadas de sacanagem. O disco foi gravado e mixado no estúdio Fermata (de Rio Preto) e é composto de dez faixas. A "Ready to Rock" conversou com Carlos Vinícius, mentor da banda, sobre sua estréia em disco e os demais detalhes que envolvem a carreira da banda.


"Brega Rock", o disco

Como fora elucidado anteriormente, o CD é composto por temas que flertam com várias tendências de rock. O hard rock tradicional  (lembrando os grandes trabalhos de um Golpe de Estado) pode ser visto em faixas como "Visita Íntima" (com um riff contagiante, uma das melhores do trabalho, que narra a paixão por uma detenta), "Cine Privê" (com uma levada à base de paletadas, e versa sobre aquela seção de filmes eróticos que passava na TV aberta anos atrás) e "Brega Rock" (uma faixa que trata dos propósitos da própria banda) . Já outros têm uma pegada mais crua, soando como um Titãs (fase "Titanomaquia"), como "Muié das Quebrada". Já "Genilda" conta com um levante flamenco em sua execução. Outras faixas são conduzidas por um acento pop junto às linhas de guitarra (solos e viradas de bateria), como "Passar o Ferro", "Escravo de Seu Amor" (com um quê de old punk rock nas guitas) e "Pesque-Pague".

A única faixa, digamos, séria do trabalho, é a balada "Vestígios", uma ótima composição por sinal, que no esquema violão/voz, traz um refrão daqueles que grudam na mente. E com direito a uma inserção de gaita de fole (contando com o música convidado Gustavo Hernandes) e violões extras (a cargo de Marcos Vale, do estúdio onde foi gravado o trabalho). E, ao chegar no fim do disco, o ouvinte encontra uma versão pesada para a tradicional música  "Escravos de Jó", que pode gerar reações auditivas distintas, dependendo de seu estado de humor no momento.
Enfim é um trabalho que vai com certeza trazer diferentes opiniões de quem o consumir. Mas talvez resida aí seu objetivo: ser diferente, ser polêmico, fugir dos padrões de seriedade do rock nacional da atualidade.

Um bate papo com Carlos Vinícius

1) Ready to Rock - Como se formou a Pinga com Groselha e porque a escolha deste nome?
Carlos Vinícius - Eu formei a banda com a idéia de fazer uma mistura de estilos, saindo do convencional. Chamei músicos para ensaiar e resolvi fazer versões de clássicos do “brega”. A primeira música autoral composta foi “Brega Rock”. Acho que o nome da banda traduz bem a proposta: o rock representado pela “pinga” e a “groselha” que revela todo o enredo brega.

2) RR - O ato de mesclar elementos líricos do bom humor junto a estruturas padrões do rock não é tão comum na cena. Como esse padrão de composição foi concebido?
 CV -  Existem algumas bandas que fazem isto e têm um público fiel. Vide Ultraje a Rigor e atualmente a Pedra Letícia, que além do humor, também utiliza muito a música brega e até foi apadrinhada por Reginaldo Rossi. Queremos conquistar nosso público. Hoje há uma gama enorme de bandas para ouvir. Se diferenciar foi objetivo deste padrão.

3) RR - Como você acredita que será a aceitação do público consumidor de rock clássico?
CV - A “pegada” da banda é o rock. A primeira impressão de um consumidor de rock clássico quando se depara com a proposta da mistura de música “brega” é de estranheza. Mas testamos o repertório ao vivo e tivemos um feedback positivo. Somos rockeiros com intenção brega, mas sempre rockeiros.

4) RR -  Por ser algo diferente e até mesmo transgressor, você acredita que a música da banda pode despertar o interesse de um público fora do circuito do rock and roll?
CV - Acabamos de lançar o CD e  um amigo me enviou um recado no facebook, querendo comprar 2 exemplares. Um é pra avó dele, que já é fã da banda! A música “brega” também é underground, mas tem um público bem variado. Acredito que é uma possibilidade o interesse de outros públicos.

5) RR - O CD "Brega Rock" tem uma sonoridade surpreendente. Como foi a produção (pré e pós) no Fermata?
CV - Antes de entrar no estúdio a banda já estava com algumas músicas ensaiadas. O Marcos do Vale (proprietário do Fermata e co-produtor do CD) primeiramente gravou as guias. Todos juntos tocando com o metrônomo e eu cantando. Após isto o Ricardo gravava a bateria em cima da guia e posteriormente eu gravava as guitarras, o Daniel o baixo e no final gravávamos as vozes. Era um ambiente muito favorável. Nos sentíamos em casa e não tivemos nenhum atrito entre os componentes da banda e nem com o Marcos, que também é um ótimo músico. Já tínhamos uma idéia de como queríamos os timbres dos instrumentos de cada música, mas o Marcos nos ajudou bastante com idéias. Optamos pela masterização na MCK e o resultado ficou bem satisfatório.

6) RR - Os demais músicos também colaboraram na concepção das músicas?
CV - As composições são minhas, com exceção de “Escravos de Jó” que é domínio público e “Pesque-Pague” e “Escravo do teu amor” que são assinadas pelo compositor Preto Moreno. Mas as músicas foram evoluindo. O Daniel Leme e o Ricardo Neves foram os músicos que vestiram a camisa, a idéia da banda, e tiveram um papel importante em todas as faixas. Eles opinaram e influenciaram na estrutura final de cada música. Nada foi pro CD sem o sinal positivo de todos os integrantes.

7) RR - O disco apresenta uma variedade bem definida, misturando hard rock (faixas "Visita Íntima", "Cine Privê" e "Brega Rock"), uma levada mais pop (em "Passar o Ferro" e "Pesque Pague") e até uma aventura flamenca ("Genilda"). Até onde suas influências musicais atuaram nessa variação?
CV - Queria um disco com  músicas diferentes entre si. Escuto vários estilos musicais: Rock, Blues, Jazz, Soul, Funk (original) e até música clássica. Não dominamos musicalmente todos os estilos, mas acredito que estas influências possibilitou experimentar e variar os ritmos no CD.



8) RR - A balada "Vestígios" (ótima faixa) é a única que foge um pouco da regra do padrão humor das demais faixas. Qual o intuito de incluí-la junto aos demais temas?
CV - Vestígios era uma música de gaveta, composta, mas nunca ensaiada. Realmente passaria tranqüilo pelo set de uma banda “convencional”. Tive a idéia de chamar o Gustavo Hernandez para fazer o solo com sua gaita de foles e o Marcos do Vale gravou os violões. Depois de gravada eu mostrei pro pessoal da banda, que gostou. Tá no disco pra quebrar um pouco a baderna toda...(risos).

9) RR - Existem planos para uma divulgação do trabalho da banda em âmbito nacional?
CV - Sim. Temos uma pessoa encarregada do controle de mídias, que já organizou bem a divulgação da banda, padronizando e fazendo o link entre as redes sociais: facebook, twitter e outras mídias direcionadas na internet. Também contratamos os serviços de uma distribuidora digital especializada em música. O CD "Brega Rock" estará nos principais streamings da internet, como Spotify, Youtube, i Tunes,  etc. E também terá venda física do CD no exterior através da Amazon.com

10) RR - A cena de shows de bandas autorais na cidade é algo complicado de se desenvolver, mesmo que tenha melhorado sensivelmente nos últimos meses. Como está o ritmo de shows do Pinga?
CV - No final de 2015 fizemos 3 apresentações de pré-lançamento do CD "Brega Rock": Casa Kenty, Tô em Casa Music Beer  e Butreco Butiquim. Os cachês já estavam pagos pelo prêmio que ganhamos com o projeto vencedor do “Cultura para todos – Nelson Seixas”, promovido pela Secretaria de Cultura de Rio Preto. Agora com o CD em mãos queremos fazer um lançamento oficial, talvez uma seqüência de shows.

11) RR - Quais as influências musicais dos integrantes da bandas?
CV - Eu gosto de rock desde os 13 anos e ouço desde Rolling Stones até Slayer... Na música brega gosto da energia do Magal e das letras do Odair José (que não se considera um artista brega). O Brega é sinônimo de cabaré e de música tocada nesses ambientes... Também não posso esquecer a Pedra Letícia que é uma grande inspiração. Já gostava no início, como trio, e depois que fizeram uma banda completa, com um time rock, virei fã. Até fiquei amigo do guitarrista Xiquinho...Minha influência pode ser de qualquer banda ou artista, independente de estilo. A faixa “Passar o ferro”, por exemplo, foi inspirada na country music. O Daniel Leme é influenciado musicalmente por Raul Seixas, Tião Carreiro, Deep Purple, ACDC, Whithesnake, Slash e Iron Maiden. O Ricardo Neves tem como influências o Deep Purple, Led Zeppelin, Rush, Santana e Jimi Hendrix.

12) RR -  Como você vê a cena rock de Rio Preto, já que você é uma pessoa muito envolvida com música (NR. Carlos é proprietário de estúdio de ensaios e de loja de instrumentos musicais)?
CV - Hoje os locais priorizam os covers. Mas não se restringe apenas a Rio Preto. A maioria das bandas da cidade fazem um repertório focado em covers para conseguirem receber cachês. Mas algumas casas já abrem espaço para as bandas expor o seu trabalho autoral e isto é ótimo.

13) RR - Quais os próximos passos do Pinga, agora com seu primeiro CD em mãos?
CV - Já tenho um roteiro que escrevi para produzir um vídeo-clipe da música “Passar o Ferro”. O protagonista é um palhaço mímico que ganha a vida fazendo apresentações nas ruas da cidade. Sua esposa é controladora e megera. E toda a pressão da esposa levará o palhaço a flertar com sua vizinha. Tudo com muito humor. Queremos investir em vídeo-clipes das músicas do CD para divulgar ainda mais nosso trabalho.

14) RR - Fique à vontade para deixar um recado a nossos leitores.
CV - Ouçam o CD "Brega Rock". Para quem quiser comprar o CD físico (Digipack luxo, com encarte e letras das músicas), está disponível na loja virtual: http://garagemusical.com.br/loja/index.php?route=product/product&product_id=1963
Vejam também os clipes da Pinga com Groselha e se inscreva em nosso canal no youtube.


Para saber as novidades e contatar a banda: https://www.facebook.com/PingaComGroselha

domingo, 8 de novembro de 2015

OUDN lança seu novo videoclipe, "Wrath Of The Maker"

A banda paulista de metalcore OUDN lançou nesse domingo o videoclipe para a música "Wrath Of The Maker", produzido por Henrique Ferraz (Estúdio Zarref), contando com a colaboração de André Gallego (Direção/Pós-Produção), Miguel Sacomano, Heitor Anselmo e André Gallego (Direção de Fotografia) e Davi Grigori (ator).



A banda, oriunda de São José do Rio Preto, é formada atualmente por Caio Cesar  (vocals) Gustavo Vernéchio e Thiago Silva (guitarras), Guilherme Priólli  (baixo) e Luiz Furquim  (bateria). A banda está se preparando para lançar seu primeiro full-lenght, que se encontra em produção.

Veja mais sobre a banda em : http://readytorockroll.blogspot.com.br/2015/07/oudn-nova-forca-do-metalcore-nacional.html

Mais informações acessem: https://www.facebook.com/oudnofficial e https://soundcloud.com/oudnofficial

domingo, 4 de outubro de 2015

OUDN e Maiden Hell faturam festival “Planeta Rock” 2015



O festival “Planeta Rock”, que se encontra em sua 4ª edição, aconteceu esse ano entre 5 e 8 de Agosto, em São José do Rio Preto/SP. E repete a fórmula dos anteriores: nomes conhecidos da cena pop-rock nacional e um concurso de bandas, nos modelos conceitual e interpretação. Amparado pelos recursos do ProAc, o festival de 2015 voltou novamente ao  Recinto de Exposições da cidade e contou com a participação de bandas de vários cantos do país, totalizando o expressivo número de 197 inscritos, sendo escolhidos 30 grupos para o concurso. Nos 4 dias de realização o “Planeta Rock 2015” totalizou cerca de 40.000 pessoas, que aderiram ao caráter filosófico do evento – o ingresso foi um quilo de alimento.

Esse ano as atrações principais foram Pitty, Raimundos, Camisa de Vênus e Biquini Cavadão. Mas o que tem chamado cada vez mais a atenção de boa parte do público é a disputa entre as bandas. Nessa versão 2015 os vencedores foram o OUDN (de Rio Preto), na categoria autoral com a música “Fying Dutchman” e o Maiden Hell (também de Rio Preto) com a reprodução de “The Number of the Beast” (Iron Maiden), na categoria interpretação.

Para os integrantes do OUDN, “A sensação de vencer (o festival) foi ímpar,  em ver um trabalho árduo sendo reconhecido. Um dos momentos mais felizes de nossas vidas, sem dúvida. O público comprou nossa causa e nos incentivou com gritos, gestos e mosh pits. Foi incrível. Conseguimos captar grande atenção tocando um estilo extremo, isso pra nós, foi uma enorme surpresa. Vamos em busca de colher os frutos desta conquista, como patrocínios, parcerias e bons contatos. Além do dinheiro ganho, que será usado no nosso álbum já em pré-produção. Acredito que essa nossa conquista estimulou a cena autoral da cidade. Graças ao festival conhecemos melhor o trabalho da Shotdown e Capivaras Kill que são duas excelentes bandas da região. E ouvimos muita gente dizer que servimos de inspiração para a retomada dos estilos mais pesados em bandas que sequer ensaiavam mais. Basta uma fagulha e temos um grande incêndio. E quanto mais gente envolvida, maior é de chance de sucesso para todos.”

O OUDN acaba de lançar um clipe gravado durante o evento, onde apresentou outra canção do grupo, “Bastards”, e está trilhando firme no propósito de lançar em breve seu primeiro CD. (veja entrevista com a banda em http://readytorockroll.blogspot.com.br/2015/07/oudn-nova-forca-do-metalcore-nacional.html).





Contatos: https://www.facebook.com/oudnofficial



Já para o Maiden Hell, é uma conquista e tanto no meio de 200 bandas inscritas. “Acho que independente da música escolhida, só quem participou deste festival pode entender a sensação de sair de lá com a vitória. Foram quase 200 bandas inscritas, de vários estados do Brasil, para chegarmos em 15 finalistas que tocaram em um mega palco, com estrutura incrível. Da15, apenas 5 foram para a final. Escolhemos "The Number of the Beast" por ser um grande clássico do heavy metal, com elementos que apostamos que conquistariam tanto público quanto jurados. Quando chegamos na final, vimos que o nível das bandas era incrivelmente alto, ainda mais do que nos outros anos. Bandas como a Rossis Acústico (de Ibitinga-SP) ou a Bernadeaf (de Bebedouro-SP) poderiam ter sido campeãs também com todo mérito. Quando anunciaram o resultado, viramos 5 crianças pulando e nos abraçando, a sensação de conquistar o objetivo foi nosso maior prêmio. Quando tocamos os primeiros acordes de "Aces High', na fase classificatória, sentimos uma energia absurda do público. O local estava absolutamente lotado, cerca de 15 mil pessoas vibraram com nossa apresentação e recebemos esta energia, que nos deu ainda mais gás para chegar na final. 

Aproveitamos a grande estrutura do festival para fazer um vídeo de nossa apresentação, em breve estará disponível. Acreditamos que, com este material, possamos ir ainda mais longe, levando nosso show aos fãs do Iron Maiden ao máximos de cidades que conseguirmos, lotando as casas e fazendo com que a galera se sinta num show do Maiden. Este sempre foi nosso principal objetivo. Obrigado Júlio!", finaliza Netto Cruanes, baterista do Maiden Hell.



Contatos: https://www.facebook.com/MaidenHellBrazil


As premiações para os vencedores em cada categoria giraram entre R$ 4 mil a R$ 1 mil, para os cinco primeiros vencedores.

Vencedores

Classificação Categoria De Composição
1º OUDN – “Fying Dutchman”, de São José do Rio Preto/SP.
2º Mafalda Morfina - “Adeus”, de São Paulo/SP.
3º Shotdown – “Hidden Asylum”, de Mirasso/SP.
4º Dona Penha – “70 x 7”,  do Rio de Janeiro/RJ
5º Capivaras Kill – “Caverna de Platão”, de São José do Rio Preto/SP

Classificação Categoria De Interpretação
1º Maiden Hell – “The Number Of The Beast”, de São José do Rio Preto/SP
2º Rossis Acústico – “The Logical Song”,  de Ibitinga/SP
3º Bernadeaf – “War Pigs”, de Bebedouro/SP
4º IDM – “Man In the Box”, de São José do Rio Preto/SP
5º Armada – “I Kissed A Girl”,  de Jaú/SP


Fontes:




http://www.diariodaregiao.com.br/cultura/bandas-locais-colhem-fruto-do-planeta-rock-1.356649

domingo, 13 de setembro de 2015

Shotdown - metal pesado vindo do interior paulista


O mercado de quem cria rock autoral no Brasil não tem (e talvez nunca teve) um cenário muito animador. Quando se fala da cena alternativa (longe de ser pop, de ser da grande mídia) então a coisa se complica. Mas isso não impede que muitas bandas enfrentem essa realidade de batalhar por sua música, por seu espaço. Como é o caso da banda Shotdown, cuja terra natal é Mirassol (SP). Com cerca de seis anos de existência, a banda mudou seu estilo e hoje aposta num som mais pesado. Formada atualmente por Alexx Blacksteel (vocal), Danilo Origa (guitarra), Giovanni Buzo (bateria) e Igor "Miojo" Galves (baixo), a banda foca hoje em dia seus esforços para lançar seu primeiro CD, com previsão de sair em 2016. No entanto possui um estoque de cinco músicas gravadas, disponíveis em seus canais de internet. A Ready To Rock conversou com o guitarrista Danilo, que nos conta a seguir mais detalhes da trajetória do Shotdown.


RR - Primeiramente me fale das origens da banda. Quando e como se formou e porque a escolha do nome Shotdown? 
Danilo Origa - A banda foi formada em 2009, com a junção de amigos de escola. De forma espontânea, a banda foi tomando forma e trocando de integrantes, buscando sempre evolução e um trabalho voltado para, de fato, constituir uma carreira. O nome Shotdown não tem um motivo específico. Achamos que soava bem e o escolhemos! 

RR - Numa tendência nacional onde o movimento de bandas cover é sempre evidenciado, é um orgulho ver bandas como o Shotdown investindo em seu próprio trabalho. Como é ser uma banda autoral nesse ambiente? 
DO - Obrigado! Essa questão de autoral versus cover é literalmente motivo de amor e ódio para a Shotdown. Alguns nos odeiam simplesmente por termos criticado algumas bandas baseadas em cover e outros nos amam pelo mesmo motivo. Sempre fomos muito incisivos nessa questão. Dessa forma, procuramos sempre priorizar o autoral. Nunca fizemos um show sequer que não tenha tido ao menos quatro músicas autorais (sendo que hoje temos lançadas oficialmente, seis). É claro que temos que colocar covers no meio para complementar o show, mas são músicas que realmente significam algo para nós e definem a banda. Não é algo para ganhar destaque.

RR - Como sente a aceitação do público em relação ao trabalho da banda? 
DO - A aceitação do público é incrivelmente boa. Às vezes, supera nossas expectativas. Quando seguíamos uma linha autoral mais hard rock, nos shows, complementávamos o repertório com músicas do Motörhead e do Pantera. Nessa época, a aceitação das autorais era relativamente baixa e nos reconheciam apenas pelas bandas supracitadas. Depois do lançamento do clipe de “Spitfire” e do EP propriamente dito, que ocorreu em outubro de 2013, a aceitação perante as autorais cresceu. Hoje, seguindo uma linha mais pesada e tendo lançado o lyric video de “Murderground”, a aceitação foi ainda maior; mais calorosa, digamos. O peso ajuda, creio eu. A verdade é que, mesmo em uma realidade em que o produto físico (CD) “não seja mais importante”, os ouvintes gostam, sim, de música bem gravada, com qualidade. Não adianta querer apresentá-las apenas em versões ao vivo. Foi o que aprendemos com essa situação.


RR - Quais as dificuldades principais da banda estar estabelecida no interior de São Paulo? 
DO - As dificuldades principais em estarmos localizados no interior de São Paulo são basicamente relacionadas à visibilidade. Acaba sendo difícil alcançar pessoas de fora daqui, mesmo na internet. Mas creio que todas as bandas sintam-se assim, independente de onde estejam, pois o meio musical é cheio de “panelinhas” e certas “barreiras” que dificultam de fato a entrada de uma nova banda. 

RR - Como anda o ritmo de shows da banda? Como enfrentar a eterna ausência de locais para bandas autorais? 
DO - Os shows são escassos devido ao fato de não nos enquadrarmos no estilo que um pub requer, por exemplo. Geralmente, nossos shows são mais voltados a festivais, que, não por coincidência, também são escassos. Para enfrentar a eterna ausência de locais, simplesmente nos mantemos convictos do que queremos atualmente. Hoje, estamos concentrados em compor e gravar nosso primeiro álbum.  Porém, é claro que logo depois de tê-lo gravado, precisaremos sair em busca de novos shows, e, para isso, precisaremos de alguém especializado no ramo.



RR - A banda ficou entre as três melhores da categoria autoral no festival “Planeta Rock”, em agosto deste ano, com a música “Hidden Asylum. Como foi o sabor desta conquista e o que representa isso na trajetória da banda? 
DO - Foi ótimo. Ganhamos novos admiradores do nosso trabalho e é basicamente isso que importa. Muita gente elogiando a mudança de estilo e elogiando, inclusive, a presença de palco. A competição em si não importa. Tocar para mais de cinco mil pessoas em um palco foda foi sensacional. Inacreditável a quantidade de gente curtindo e gritando com a banda! Mais ainda, essa edição significa, para nós, que está mais do que na hora de juntarmos forças com bandas da região, como a O.U.D.N. (deathcore), vencedora do concurso. Vocal agressivo, banda pesada e com uma execução perfeita! A união de bandas autorais para realizar shows em conjunto é essencial!

RR - As musicas do EP Shotdown” (2013) flertam com um hard rock pesado e bem dosado.  Já algumas faixas como “Dead Man” tem um balanço colado bem num metal moderno. A banda flerta com muitos estilos, certo? 
DO - Exato! Não é algo para “agradar a todos”, mas sim algo sincero.
Mas há direções principais em cada trabalho: O EP foi basicamente hard rock, ainda que flerte com outros estilos.  Tentamos, sim, trazer para algo mais moderno. Afinal, imagina se as bandas dos anos 80 tivessem mantido a pegada dos Beatles e do Rolling Stones? Obviamente era o que eles curtiam, mas a música segue, sem deixar de ter influência!
Acho que deu pra entender o que eu quis dizer. (risos)

RR - Dá pra perceber que em “Muderground” a banda investiu numa pegada mais pesada, colado num thrash moderno, mas com boa dose de melodia nas passagens.  Seria mudança radical no estilo do Shotdown? 
DO - Uma mudança radical creio que não. Mas sim, é uma mudança. Desde a entrada de Giovanni (bateria) e Igor (baixo), pretendíamos trazer um peso maior para a banda. Mas assim como dito anteriormente, acho que não poderia acontecer diferente. Os covers sempre foram Motörhead, Pantera, Metallica etc.. Foi natural a mudança. Ainda mais depois de começarmos a curtir Sepultura como nunca! 


RR - Como funciona o processo de composição dentro da banda? 
DO - O processo de composição dentro da banda não é algo científico. Também é natural. O EP foi composto basicamente por mim, Danilo (guitarra). Já o álbum que está por vir, por enquanto, conta com grande participação do Giovanni e o Alexx (vocal), sobretudo em letras. A letra de “Murderground”, por exemplo, é do Alexx. Atualmente, como moro em Uberlândia-MG, venho criando riffs crus que são trabalhados aos sábados, quando a banda se reúne em Mirassol. As letras acabam ficando pra depois. (risos)

RR - Mirassol e Rio Preto não tem mais distância geográfica, mas como é a cena do rock autoral especificamente em Mirassol? 
DO - A cena do rock autoral em Mirassol anda meio parada atualmente, sabe? Mas temos entre bandas que já existiram ou existem: Desnutrição (punk), Academic Worms (noisecore), Dark Paramount (black metal), Cachorros Leprosos (pornôchanchada musical), Índios Urbanos (punk), Lier (hard rock/pop rock), Forlock (pop rock), Baratazul (pop rock), NightStalker (thrash metal), House of Hate (thrash metal), Impetus (heavy metal) entre muitas outras. Mirassol tem uma boa história no rock em geral.

RR - Qual a projeção para o futuro da carreira do Shotdown?  Planos para um CD completo? 
DO - Pretendemos terminar de compor o álbum ainda esse ano e gravá-lo. Em 2016, a porra vai ficar séria. O trabalho será pesado!

RR - Como encarar o desafio de fazer o Shotdown crescer e se desenvolver cada vez mais profissionalmente, e tentar uma exposição maior na cena nacional? 
DO - Assim como dito anteriormente, vamos precisar de empenho e profissionalismo para poder divulgar o primeiro álbum da melhor forma possível. E pra isso precisaremos contar com profissionais do ramo. Blogs, sites, gravadoras, agências, e-mail, facebook, youtube, shows independentes: vale tudo!

RR - Fique à vontade para passar uma mensagem para nossos leitores. 
DO - Agradeço, primeiramente, a você por esse espaço. Acompanhem a Shotdown! Conheçam o trabalho anterior e fiquem por dentro do que está por vir. Lançamos recentemente o lyric-video de “Murderground” e precisamos de vocês para levar esse trabalho adiante! Temos facebook (facebook.com/shotdownbr) e todo o EP e o single estão no youtube (youtube.com/shotdownbr).  Não estamos aqui para brincadeira!   Ah! Em breve teremos single novo: “Hidden Asylum”!


quarta-feira, 22 de julho de 2015

Taurus: forte, ativo e preparando DVD/CD ao vivo


Para quem acompanha a trajetória do heavy metal em nosso país, é chover no molhado ressaltar a importância no nome Taurus nesse cenário. A banda carioca, que lançou em 1986 o clássico “Signo de Taurus”, continua viva e forte em seus propósitos. Após um breve intervalo a banda retomou a carreira lançando o impactante “Fissura”, em 2010 e, entre a rotina de shows, prepara mais alguns lançamentos, dentre eles um novo álbum de estúdio. O Ready to Rock conversou com o baterista e fundador Sérgio Bezz sobre o passado da banda e seus projetos atuais. Completam hoje esse monstro sagrado do thrash nacional, seu irmão Cláudio Bezz (guitarras), Otávio Augusto (Voz) e Felipe Melo (Baixo).


Ready to Rock - A primeira pergunta não poderia ser outra. Como está a situação da carreira do Taurus nos dias de hoje?
Sérgio Bezz - Estamos ativos! Fazemos poucos shows, mas cada um se transforma em uma celebração, trazendo muitos fãs de muitos anos, e novos também. Nosso último lançamento foi a participação no “Super Peso Brasil”, um projeto que reuniu bandas que fizeram parte da história do metal brasileiro dos anos 80, cantando em português. Esse projeto se tornou um DVD e CD. Estamos preparando um novo de inéditas, talvez para o próximo ano.

RR- O disco “Signo de Taurus” (1986) é considerado um dos maiores do heavy metal do Brasil. Como você, de dentro da banda, vê hoje esse disco?
SB - Com muito orgulho, sem dúvida. Foi um momento muito bom. Éramos bem novos, e tínhamos um espírito mais desbravador. Tivemos esse resultado, de uma qualidade, acho eu, até hoje interessante.  A cada vez que ao vivo tocamos as músicas, o sangue corre. Participei de algumas composições dele, e é ótimo ver bandas iniciando suas carreiras e fazendo covers desse álbum. Acredito que já escutei gravações de todas as músicas dele.
  


RR - A partir do “Trapped in Lies”, a banda evoluiu num direcionamento mais técnico e de produção. Aquele disco poderia ser o “Schizophrenia  do Taurus?
SB - É difícil essa comparação. Nunca pensei nisso. Há um sentido de evolução musical do primeiro para o segundo álbum, isso é notório. O “Trapped in Lies” é um álbum importante pra gente, sem dúvida houve essa evolução. As composições tomaram um curso mais elaborado que o “Signo de Taurus”. Trazendo elementos mais harmônicos. Soma-se a mudança do vocal, o que nos trouxe outras referências pra gente.

RR - Pegando carona da questão anterior, o que faltou para que o Taurus estourasse assim como fez o Sepultura?
SB - Foram muitas conjunções que fizeram a abertura deles para o mundo. Naquele tempo, o Sepultura tinha uma potência e uma decisão incrível em levar aquilo como suas vidas, eles eram aquilo, e os admiramos por isso. Tomaram as decisões certas pra isso. Em nosso caso, nossas relações no meio não viabilizaram isso.

RR - O Rio de Janeiro foi sempre um forte produtor da cena HM no país, com nomes como Dorsal Atlântica, Azul Limão, Taurus, Metralion, dentre outras. Você acompanha a cena carioca nos dias de hoje?
SB - Acompanho, um pouco à distância. Mas mantenho principalmente a atenção pra as bandas que persistem, aquelas que vejo uma verdade no que fazem, sem ficar somente interessados na imagem, e nos negócios.

RR - Uma pergunta que sempre faço ao pessoal que praticamente começou a epopeia do metal no Brasil. Como você vê o momento atual do estilo em nosso país?
SB - Atualmente o movimento cresceu muito. Com isso mais bandas conseguiram consolidar suas carreiras, no Brasil e fora do país. Agora é comum vermos várias bandas brasileiras fazendo tours pela Europa, o que nos anos 80 não existia. Há um profissionalismo maior, inclusive de agências organizadoras dessas tours fora do país. Um mercado evidente no Brasil se fez com o metal, movimentando muito dinheiro, mas ainda há uma fatia em potencial mal explorada, vinda do underground dependendo de profissionalização de alguns segmentos, de produção de shows, e comunicação, é minha opinião. 

RR - Não querendo ser saudosista, mas sendo, nos anos 1980 existiam muitas dificuldades pra se ter banda. Equipamentos, shows, gravações. Mas a sensação era que ocorria com mais intensidade e constância. Pensando no hoje, com a facilidade da tecnologia, o acesso fácil às informações, como você vê os pontos positivos se comparado ao underground de três décadas atrás?
SB - Sem dúvida, agora é muito mais fácil pra uma banda gravar, e divulgar seu som. Antes, era preciso dar um passo de gigante, e poucos conseguiam. Ao mesmo tempo, a qualidade real dos músicos é muito camuflada com a tecnologia, algo que nos anos 80 não tinha jeito, se o cara tocasse mal, na gravação isso ia aparecer. Acho que a maquiagem dos anos 80 passou para as gravações.

RR - Qual o melhor e pior momento da trajetória do Taurus nesses últimos 30 anos?
SB - Muitos bons, shows memoráveis. Para citar um, em nosso retorno, depois de muitos anos parados, voltamos abrindo para o Testament no Canecão, foi marcante pra gente. Os shows atualmente são muito bons, e o público as bandas nos respeitam onde estivemos até aqui, isso não tem preço. Quanto ao pior momento, acho que foi não termos feito a abertura para o Metallica na primeira vinda deles ao Brasil (N.E. em 1989). Estava tudo em cima, com set list pronto, e não rolou, foi bem ruim.



RR - Em 2010 a banda voltou com um novo álbum de estúdio, “Fissura”, retomando as composições em português. Porque essa escolha de idioma?
SB - Com os shows do retorno, constatamos a força das músicas do “Signo de Taurus”, com as letras em português. O público vinha com a gente nas músicas de uma maneira incrível. Decidimos seguir em português, nossa língua. Acredito que conseguimos fazer um thrash em português decente. Gostamos disso.

RR - E como foi fazer o novo disco após mais de 20 anos do lançamento do “Pornography” (1989)? Como sentiu a aceitação dos fãs para do novo trabalho?
SB - Excelente!  As críticas e os fãs nos apoiaram muito, e foi tudo muito bem.

RR - Um DVD da banda seria muito bem-vindo. Existiria a viabilidade artística e econômica para uma empreitada dessas?
SB - Total! Estamos trabalhando nele agora. Fizemos no final de 2013 o projeto “Super Peso Brasil”, ao lado de ícones do Metal nacional cantado em português, Metalmorphose, Salário Mínimo e Centúrias. Lançaremos o show completo com CD ao vivo desse show. Será uma comemoração aos trinta anos da banda. Sairá em Setembro pela Urubuz Records.   



RR - O que podemos esperar do Taurus nos próximos anos? Algum novo álbum de inéditas?
SB - Já temos algumas feitas. Após o lançamento do DVD/CD ao vivo, vamos partir pra ele.

RR - Fique à vontade pra deixar uma mensagem a nossos leitores.

SB - Estamos vivos, e na estrada. Esperamos vê-los por aí. Podem nos encontrar também no www.facebook.com/TaurusThrashMetal. Força!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

OUDN – Nova força do metalcore nacional


O heavy metal brasileiro se desenvolveu em praticamente todos os subestilos surgidos. Alguns na forma de massificação, como o boom do thrash na virada dos 1980 para os 1990, tendo o Sepultura como seu maior expoente. Teve o Angra alavancando dezenas de bandas de metal melódico nas últimas duas décadas. A cena death metal no Brasil é bem forte e tem no Krisiun seu maior orgulho nacional. Além de muitas bandas de prog metal surgidas, com destaque para nomes como Mindlfow, Maestrick e Remove Silence. E o metalcore (como o rótulo possa entregar, uma mescla da sonoridade do thrash e metal industrial com a pegada agressiva do hardcore), estetizado nos Estados Unidos, em bandas como Killswitch Engage, Shadows Fall, Il Ninho e outros, tem no país seus dignos representantes. Um deles e que começa a fazer sua carreira deslanchar é o OUDN, oriundo da cidade de São José do Rio Preto-SP. Formada em 2013, a banda conta hoje com Gustavo Vernéchio e Thiago Silva (guitarras), Guilherme Priólli (baixo), Caio Pimentel (vocal) e Luiz Furquim (bateria). Já gravou um EP muito bem produzido e começa os planos para o lançamento de seu primeiro full-length. A Ready to Rock conversou com o guitarrista Gustavo sobre a trajetória da banda e seus próximos passos.


1) ReadytoRock - Primeiro a pergunta óbvia. Qual o significado do nome OUDN?
Gustavo Vernéchio - A banda chamava-se O Último De Nós, mas com a mudança das composições para o inglês e a troca de integrantes, achamos melhor aproveitar somente a sigla. Nos identificamos como Our Ultimate Dying Nightmare, mas a sigla soa muito mais aprazível e simples. Preferimos que o nosso som caracterize nosso nome e não o oposto.

2) RR - Quais as influências musicais dos integrantes?
GV - As influências musicais variam muito. Cada integrante leva em si um gênero especifico, por exemplo, Gustavo Vernéchio deathcore, Thiago Silva djent metal e metalcore, Caio new metal, Guilherme Priolli hardcore, Luiz Furquim thrash metal, new metal e prog.

3) RR - Se você fosse classificar a banda dentro de um estilo musical, qual seria?
GV - OUDN tem uma mistura de cada integrante, porém Deathcore/Metalcore é o estilo que mais adotamos para banda!

4) RR - Como a banda se formou?
GV – Ela foi fundada em 2013 por Gustavo Vernéchio. Em 2014 sofreu várias alterações na formação, sendo a principal delas a entrada do guitarrista Thiago Silva, que deu outras ideias de composições, sem fugir do propósito inicial da banda. Quando entrou o baixista Guilherme Priólli e vocalista Caio Pimentel, a banda começou uma nova fase com composições em inglês. Por fim, Luiz Furquim aceitou o convite para ser o novo baterista, pouco antes de gravar o primeiro EP. Em fevereiro de 2015, nós lançamos nosso primeiro EP.



5) RR - No Soundcloud da banda encontram-se cinco faixas muito bem produzidas. Onde vocês gravaram?
GV - O processo de gravação não foi tão simples. Antes de gravarmos, a principal preocupação era a qualidade do nosso trabalho. Por isso, antes de tudo, entramos em contato com Henrique Ferraz, (nosso produtor musical). Isso foi essencial para o amadurecimento das nossas composições. Ficamos alguns meses trabalhando nas nossas pré-produções no home estúdio do Henrique. Só depois que estava tudo como queríamos, entramos em contato com Willian Fróes (Estúdio Fróes) e gravamos o trabalho final.

6) RR - A faixa “Flying Dutchman” tem uma levada meio prog metal nos andamentos. Essa é uma linha apreciada pela banda?
GV - Sim, apreciamos várias vertentes do metal, mas não foi algo que planejamos no caso da "Fying Dutchman". Ela surgiu com muita naturalidade. Quando Thiago Silva apresentou a ideia inicial da música, em apenas algumas horas, já havíamos terminado sua estrutura, algo muito natural mesmo. Em nenhum momento imaginamos fazer algo com influência de prog metal. A música apenas flui e ficamos muito satisfeitos com a qualidade final!

7) RR - Já “Wrath of the Maker” flerta em alguns momentos com thrash metal tradicional. Fale-nos um pouco dessa faixa.
GV - Quando eu fiz a composição da musica, já sabíamos que seria algo mais agressivo, a ideia inicial era fazer uma música mais pesada e rápida com influências de death. Na minha pré-adolescência, escutei muito Pantera, Anthrax, Megadeth, Slayer e Kreator, isso pode ter influenciado na composição da música, mas não propositalmente. Quando compomos, nunca nos espelhamos em músicas ou gêneros específicos!

8) RR - Interessante a inclusão de teclados no metal agressivo praticado pela banda. Acredita ser um diferencial para a sonoridade do OUDN?
GV - A ideia inicial não era ser uma banda temática, quando começamos a gravar nossas "prés" com Henrique Ferraz, que sentimos a necessidade de ser uma banda temática pelo conselho do nosso produtor. Sim, acreditamos que seja um grande diferencial para OUDN!

9) RR - Como foi a produção para o clip de “The Reaper”?
GV - A edição de vídeo foi feita por mim e a legenda pelo Willian Fróes. Todas as imagens contidas no vídeo são reais da segunda guerra mundial.




10) RR - Planos para o lançamento de um CD completo.
GV - Com certeza! Já estamos trabalhando nisso.

11) RR - Na sua visão quais as dificuldades de uma banda domiciliada no interior de São Paulo em se projetar Brasil afora?
GV - Todas as possíveis e imagináveis. O sistema joga contra você o tempo todo. A situação no país como um todo já é caótica, quando se trata então do berço do sertanejo atual, tudo fica dez vezes mais complicado. Temos plena noção que o caminho é áspero e árduo, mas isso não nos intimida de maneira alguma.

12) RR - O que você pensa sobre a cena do rock/metal de Rio Preto?
GV - É uma cidade que luta bastante para se destacar. Temos a Maestrick que conseguiu assinar com uma gravadora no exterior, e temos uma nova onda de composições autorais em diversos estilos. Infelizmente ainda existe uma dependência de covers para que os artistas possam se manter e investir, mas a produção autoral tem galgado seu espaço e ficamos felizes em estar contribuindo com isso.

13) RR - Quais suas expectativas com relação ao futuro do OUDN?
GV - Nós esperamos lançar nosso CD em breve, com umas 10 ou 12 músicas, e conseguir vender um show autoral com cerca de uma hora e meia. A partir disso, queremos buscar nosso espaço no cenário nacional e até na internacional.

14) RR - Fique à vontade pra deixar um recado aos leitores
GV - Continue firme conosco, temos excelente material saindo e vamos conquistar o mundo! Contamos com vocês nessa caminhada rumo ao topo, seja no Brasil ou em outro país! Muito obrigado pelo apoio e consideração!


Mais informações acessem: https://www.facebook.com/oudnofficial e https://soundcloud.com/oudnofficial