quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A Estação da Luz: a evolução e a tradição setentista juntas no novo álbum, "O Segundo"


Como já se ouviu muitas vezes em conceitos futebolísticos, em time que está ganhando não se mexe. Pois é. Pegando carona nesse clichê, poderíamos aplicar tal conceito ao que acontece à banda paulista A Estação da Luz (São José do Rio Preto/SP). Após lançar seu primeiro e icônico disco, "Estação da Luz", o Estação solta agora seu segundo álbum, simplesmente intitulado "O Segundo".  E nesse caso, não só o time não se alterou como também se manteve o esquema tático. Isso porque a banda manteve a sonoridade na qual estreou em gravações e na qual continua se desenvolvendo. Ancorada por sonoridades setentistas e com elementos de gente como Rita Lee, Beatles, MPB, e bandas clássicas nacionais dos 70 como O Terço e Casa das Máquinas, o Estação parece que conseguiu algo sonhado por muitas das bandas da atualidade: criar uma cara própria. Uma marca que identifique sua música e que a  se associe a seu nome. Isso mesmo, porque, se alguém ouvir suas novas músicas sem saber quem as interprete vai lembrar do Estação. É uma situação rara hoje em dia. A mistura da suavidade vocal junto à cozinha, baixo/batera, enraizada à variedade clássica do rock 70, ao teclado com efeitos psicodélicos e graves da atmosfera vanguardista e aos fraseados de guitarra hora colados em Beatles, hora com pés no modernismo, fazem com que o som que o Estação faz se torne ao mesmo tempo atual e saudosista, e principalmente, se situe no território do agradável.


"O Segundo"

O álbum foi gravado e mixado pela própria banda, em seu estúdio, o histórico Área 13. A capa é de autoria do excepcional designer brasileiro Fábio Matta.


O título do disco é óbvio que é auto explicativo. Quando lançou "Estação da Luz", em 2012, a banda veio com uma proposta saudável e admirável de fazer o antigo soar atual, soar agradável, na ideia de que a música rock é atemporal. E a sequência mostra tratar-se da filosofia musical da trupe. Não há música antiga. A sonoridade psicodélica e poética dos 70 pode ser atual, pode ser contemporânea.

Quando se ouve "Segundo" sentimos o Estação à vontade com suas propostas. Não é algo forçado ou planejado para soar assim ou assado. É assim que o quinteto quer expressar sua música. Sobre temas que versam sobre romantismo ou existencialismo se fazem como esteio uma estrutura musical calcada no rock, na MPB e em passagens que flertam com o jazz.

Algumas faixas incursionam (e muito bem) elementos do rock progressivo, como na instrumental "Papo Furado" (guitarras com efeitos dos 70 e o baixo num ótimo contraponto), a mais viajante do disco, "Na Contra Mão" (o teclado nos remete a algo de Jethro Tull), com os backing vocals característicos da banda, e "Real Loucura" (muita referência a jazz pela levada da bateria e a participação de sax - cortesia do músico rio-pretense Victor Hugo - na parte final da música) com sua letra carregada de psicodelismo.

"Sem Direção" abre o disco e cativa pelo refrão que gruda na mente. "Pensar em Você (Tudo é Saudade)" tem um doce apelo radiofônico (se é que pudemos usar esse termo hoje em dia, em se tratando de rock).  "Dia de Domingo" é cantada por Cristhiano (guitar), sendo a mais enérgica do disco e onde o teclado conversa intensamente com baixo e guitarra e a batera mais rápida. "O Segundo" (a faixa), conta com uma breve participação canina ao fundo (alguns latidos) e  intercala momentos suaves com quebradas melódicas no refrão, lembrando muito o trabalho do primeiro disco.

"Meu Amigo George" traz boas referências de Beatles, principalmente nas influências orientais de Harrison e tem um clima intenso por conta do teclado e boas doses também de psicodelia na letra. "Vícios Sem Fim" é a faixa que mais se aproxima dos padrões da MPB, levada pela cadência do baixo e dedilhados da guitarra. Soa como a mais introspectiva do álbum.

Enfim, A Estação da Luz acertou novamente.  Não sei até onde Renata Ortunho (vocal), Cristhiano Carvalho (guitarras),  Alberto Sabella (teclado), Vagner Siqueira (baixo) e Junior Muelas (bateria) podem levar a banda em termos de exposição e conquistas mercadológicas pelo Brasil afora, mas uma coisa é certa, talento, bom gosto nas composições e textura visual não lhe faltam para isso.


Um papo com Junior Muelas

Ready to Rock - Após 5 anos, eis que é lançado o segundo álbum. O que mudou pra banda nesse intervalo?
Junior Muelas - Nesses 5 anos acredito que a banda tenha adquirido um pouco mais de experiência, esse processo de amadurecimento como banda tem acontecido ano após ano desde o início em 2005 e isso com certeza reflete positivamente de um disco para o outro.

RR - Percebi uma clara evolução na sonoridade final do disco. Comparando à produção do primeiro disco, como foi fazer "O Segundo"?
JM - Algumas músicas do disco já estávamos tocando nos shows há algum tempo, isso facilitou um pouco na produção por já sabermos que rumo o disco tomaria, as gravações de nossos discos são sempre tranquilas e ficamos muito à vontade em relação a timbres, arranjos, ideias. Acho que no final isso acaba definindo a sonoridade do disco e da banda.

RR - Eu percebo a banda procurando se aventurar por outros braços musicais, tentando variar mais em termos de arranjos. Teve essa intenção?
JM - Isso acaba acontecendo, mais flui naturalmente. Somos influenciados sonoramente a todo momento isso acaba refletindo nos arranjos e na sonoridade das músicas.

RR - A veia setentista clássica ainda se faz presente. Parece ser a marca da banda. Mas não há uma prisão. Dá a impressão que vocês querem se expressar sobre essa base vanguardista. Como foi o processo de composição?
JM - Nossas maiores influências são das décadas de 60/70 e gostamos da sonoridade dessa época que acaba sendo uma forte característica da banda. Não temos uma linha que seguimos nas composições, as vezes temos primeiro a música, depois fazemos a letra ou vice e versa. Sempre que alguém chega com uma ideia, desenvolvemos a música e letras juntos ou já chega com a música pronta e tocamos colocando a pegada de cada um, depende....nunca seguimos uma formula.

RR - Faixas como "Real Loucura" flertam claramente com jazz. Como foi a experiência?
JM - Eu diria mais pro progressivo do que pro Jazz. Desde o primeiro disco já flertamos com esse estilo que está muito presente em nossas influências.

RR - Como ocorreu a participação "canina" em "O Segundo"?
JM- A ideia de gravar na madrugada os cachorros da vizinhança e colocar na intro foi do Alberto Sabella, que acabou criou uma atmosfera sonora incrível.

RR - A faixa "Meu Amigo George" é uma homenagem à Harrison? Tem muito de Beatles nela.
JM - É uma homenagem com certeza. Tem muito de Beatles e George Harrison solo também.

RR - Quando o disco sairá em mídia física?
JM - Ainda não temos uma data prevista.

RR -  Num universo musical do Brasil, onde não existe mercado para quem quer apostar em rock autoral, principalmente de uma escola clássica, qual a visão de vocês em termos de aceitação da música do Estação?
JM - A aceitação do público é muito boa , temos fãs por todo país. Existe uma cena independente que não tem o apoio da grande mídia, mas sobrevive mesmo assim graças a internet que ajuda a espalhar seu som pelo mundo todo muito rapidamente que é um meio de divulgação muito eficaz. E existem algumas Rádios(AM/FM) que dão uma força para os artistas independentes.



RR -  Aqui em Rio Preto, temos o circuito tradicional de covers em bares e espaços específicos. Como vocês sentem a aceitação do Estação, enquanto banda autoral nessa cena?
JM - Sempre transitamos por esse circuito com um ótima aceitação, em Rio Preto atualmente tem uma ótima cena autoral, tem muitas bandas/músicos/compositores sensacionais a aos poucos o apoio e a cena vem crescendo.

RR - Como você sentiu a aceitação do primeiro trabalho, mesmo em termos nacionais, e como será a expectativa para este segundo?
JM - Tivemos ótima aceitação com o nosso primeiro trabalho, nos rendeu vários shows pelo país e ótimas críticas nas mídias e acredito que agora com “O Segundo” será muito legal também e hoje a internet tem várias ferramentas que ainda não rolava em 2012 quando lançamos nosso primeiro disco e que ajuda demais na divulgação do trabalho.

RR - Sua música é algo que a cena do rock brasileiro tem aderência. Até onde você acredita que o Estação pode chegar?
JM - Não saberia te dizer, vamos continuar lançando nossos discos e vamos deixar rolar...(risos)

RR - Quais os planos do banda para os próximos meses?
JM - Nos próximos meses faremos os shows de divulgação do disco e logo vamos começar a trabalhar nas músicas do próximo disco.


Contatos:

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domingo, 23 de abril de 2017

M.U.T.E. lança novo clipe, "Quimera Digital"


Quando se formou em 2009, a banda M.U.T.E., de São José do Rio Preto/SP, não imaginaria que, ao longo dos próximos oito anos, sua produção autoral fosse tão intensa. Na época, o grupo tinha como objetivo fazer covers do Raimundos. Hoje, com dois álbuns gravados, ("M.U.T.E." - 2010 e "Brutalmente Vivo" - 2013), e vários videoclipes na bagagem, sua carreira segue firme e forte. O trabalho mais recente foi a divulgação do clipe de "Quimera Digital", uma ótima produção de áudio e vídeo. A banda, que atualmente conta com Marcelo Rocha (vocal/guitarra), Sidnei (guitarra e backing vocals Henrique Waiteman (baixo) e Fábio Moura (bateria), segue sua rotina de ensaios e shows, em diversos formatos, seja em tributos, seja em covers, mas sempre inserindo suas músicas no set. Ready to Rock conversou com o baixista Henrique Waiteman, que aborda os mais recentes acontecimentos sobre a trajetória do grupo.

Ready to Rock) O M.U.T.E. está na ativa desde 2009. Nesse tempo, entre shows tributos e outros formatos, vocês lançaram muito material autoral. Você acredita que o rock autoral desperta o interesse do público em Rio Preto?

Henrique WaitemanEssa vertente ainda se mantém mesmo que timidamente. Existe o interesse do público, mas ele é um pouco reprimido. Nossa região é predominantemente voltada à cultura sertaneja e estamos geograficamente distantes das grandes capitais onde a cultura rock ‘n’ roll ainda é bem ativa, existem mais casas voltadas ao gênero e com uma demanda bem maior. São poucas as casas voltadas ao rock em nossa cidade e essas casas são “negócios”, eles precisam de clientes para que possam se manter e não se consegue clientes apenas com o rock autoral, infelizmente. Eles não estão errados, como dissemos anteriormente, é um negócio, porém as que mais sentem na pele são as bandas de rock que são obrigadas a ter em seu repertório mais de 90% de cover, deixando na grande maioria das vezes o som autoral de lado. Em nossos shows sempre procuramos manter o equilíbrio entre cover e som autoral e o retorno do público tem sido sempre positivo.




RR) O estilo que a banda faz mistura elementos de heavy metal e do hardcore da escola NY. Como tem sido a aceitação da banda nesse segmento?
HW
- Nossas influências em sua grande maioria sempre foram o heavy e hardcore. Claro que nossa fonte é bem mais ampla que isso, mas o que predomina são essas duas e essa mistura se torna muito marcante em nosso som. Vivemos em uma época em que as bandas ou são extremamente pesadas ou extremamente “fofinhas”. Estamos no meio termo. Nosso som tem o peso que achamos coerente e que gostamos. Ao mesmo tempo nossas letras remetem aos acontecimentos atuais e sempre dando aquele toque de consciência nas pessoas. Muita gente torce o nariz quando se junta o rock pesado com letras em português. Ainda assim, essa junção sempre nos trouxe um ótimo retorno, acreditamos no nosso trabalho e o reconhecimento vem aos poucos. E percebemos isso a cada novo show e com públicos diferentes, essa percepção se torna mais nítida quando participamos de eventos com outras bandas. Muitas vezes essas bandas são excelentes musicalmente falando, mas deixam a desejar quanto à presença de palco e interação com o público. Isso se transforma em shows mornos e por vezes até monótonos. Trabalhamos para tentar surpreender, acreditamos que um show não seja apenas executar as músicas perfeitamente. Claro, isso é importantíssimo, mas existem mais fatores que diferem bandas e shows. Nossa premissa é sempre, presença de palco, interação com o público, deixar a galera realmente à vontade. Recentemente em um dos últimos shows no Two Tone em Rio Preto (Pub de Ronaldo Pobreza, vocal e guitarra da lendária banda punk Grinders) um casal comentou: “Nunca ter curtido tanto uma noite de rock ’n’ roll”. Esse feedback pra gente é sensacional. Isso sem sombra de dúvida faz toda a diferença.

RR) Após lançar discos como "M.U.T.E." (2010), "Brutalmente Vivo" (2013) e alguns vídeos, a banda lançou recentemente um videoclipe muito bem feito para "Quimera Digital". Como foi a produção dele e qual o conceito por traz de "Quimera Digital"?
HW -
Nossas composições em sua grande maioria são de temas contemporâneos e quase que naturalmente o roteiro para os clipes acabam caminhando junto com elas. Fazer um clipe demanda tempo e verba, por sermos uma banda independente não dispomos de nenhum dos dois, então trabalhamos com parcerias, seja com locação ou com a produção em si. Temos uma ótima parceria de longa data com o diretor Kelvin Ambrósio e dela nasceu nosso primeiro clipe oficial “Brutalmente Vivo” e agora “Quimera Digital”. O conceito de "Quimera Digital" é uma metáfora sobre o vazio existencial no mundo virtual. A letra é sobre a dependência da internet na vida das pessoas e da falsa imagem de mundo perfeito, bonito e ideal que ela pode passar. O clipe retrata o dia a dia de uma pessoa viciada em internet que vive um mundo paralelo nas redes sociais com suas fotos aparentemente “bem”, mas na verdade, ela é uma pessoa atormentada, desequilibrada, doentia e psicótica vivendo sua utopia.



RR) Como tem sido a repercussão do novo clipe nas redes sociais?
HW -
Passamos de 10k no Youtube em uma semana, realmente não esperávamos esse número tão rápido e ele continua aumentando. A repercussão tem sido extremamente positiva, seja pela música em si e também pelo próprio clipe. O legal dessas redes e da tecnologia de um modo geral, é que podemos mostrar nosso trabalho em praticamente todos os lugares, seja no Brasil ou fora dele. Inclusive, curiosamente na mesma semana de lançamento do clipe "Quimera Digital", tivemos um trecho de uma música do nosso segundo CD, tocado em uma matéria no Fantástico da Rede Globo. Num passado não muito distante sem essas redes e tecnologia, isso seria praticamente impossível. É extremamente revigorante ver seu trabalho ser compreendido e bem aceito pelas pessoas. Estamos muito felizes de modo geral e na expectativa que isso se multiplique cada vez mais.

RR) Como funciona o processo de composição dentro da banda?
HW -
Compomos quase que totalmente por meio da internet e redes sociais, mesmo porque, o Marcelo (vocal/guitarra base) está um pouco longe (morando em Vitória/ES) e nossos ensaios com ele são mais espaçados. Com essa distância, estamos sempre trocando ideias em nosso grupo, seja no Facebook ou WhatsApp, mandando ideias de sons e letras e sempre debatendo e ajustando as composições. É sempre colaborativo entre todos. Às vezes um manda uma ideia, o outro dá um “pitaco” e assim tudo vai tomando forma. O Marcelão sempre manda ótimas ideias de “riffs” e arranjos e a gente desenvolve todo o resto, cada um com a sua forma de tocar. Na questão de letras, muitas vezes o Fábio e o Henrique mostram as ideias ou até mesmo passam elas praticamente prontas, sempre debatemos, lapidamos e ajustamos para encaixar e ficar de acordo com a música. Os ensaios rolam no estúdio do Sidnei (back/guitarra solo) e ao menos uma vez por semana a gente se encontra por lá pra ensaiar a parte instrumental e quando o Marcelo está em Rio Preto conseguimos juntar todos, ai sim, passamos as músicas por completo. Engraçado como a internet tem nos acompanhado desde o início, nos conhecemos por meio dela e grande parte do nosso trabalho ainda continua sendo por intermédio dela.



RR) A temática lírica do M.U.T.E. se baseia em vivência social/política. Essa é uma tendência natural da banda?
HW -
Sim, sem sombra de dúvida. Não foi uma decisão da banda, no início não tínhamos essa pretensão, mas aos poucos fomos percebendo essa “revolta” em nossas letras, foi natural. As opiniões dentro da banda se baseiam sempre nisso, sem estereótipos, porém dentro da realidade. Tentamos reverter essa visão em temas atuais e sempre passando uma mensagem positiva sobre os fatos. Isso acabou se tornando uma marca forte da banda, letras fortes e ao mesmo tempo mostrando o lado positivo dentro do caos social e político em que vivemos. Gostamos de colocar o dedo na ferida, contestar e dar tapas na cara, sim. O verdadeiro sentido do rock está aí. Se não for assim, não é rock.

RR) Após alguns anos, o guitarrista vocalista Marcelo voltou ao grupo. O que mudou com a saída dele e com a volta?
HW - Na verdade foram duas baixas e uma mudança bem grande, afinal perdemos metade da banda. Praticamente na mesma época saíram o Melão (vocal) e o Marcelo (back/guitarra). Foi uma época difícil, não há como negar. A banda praticamente acabou e só ficaram o Henrique (contra baixo) e o Fábio (bateria). Lembro que sentamos em um bar e olhamos um pro outro e dissemos... "E ai, o que vamos fazer”. Debatemos muito a respeito, porém nunca passou pela cabeça em terminar a banda. Tivemos que recomeçar, tínhamos um nome, uma história, então decidimos que ali seria um recomeço, não tinha como ser diferente. Então, começamos uma procura por vocalista e guitarrista. Não queríamos simplesmente um novo vocal e um novo guitarrista. Antes de tudo, queríamos parceiros, amigos, assim como éramos na primeira formação. Acreditamos que o principal em uma banda, não é ter músicos virtuosos, mesmo porque, não somos. Acreditamos na amizade, parceria sentir-se bem com as pessoas envolvidas, ter uma “vibe” positiva, o resto é consequência. Tivemos a felicidade de encontrar o Sidnei (back/guitarra solo), que além de ser um exímio guitarrista, tem todas as qualidades que queríamos. Um cara sensacional e que se tornou um grande amigo e é como se realmente estivesse na banda desde o princípio. Por indicação do Sidnei, o Caio (vocal) entrou na banda, passamos quase dois anos com essa formação, até que o Caio precisou sair por conta de projetos pessoais. Sempre mantivemos contato com o Marcelo e ele já havia sinalizado interesse em voltar para a banda (lugar de onde nunca deveria ter saído). Claro que aproveitamos para convidá-lo para retornar à banda e ele topou de primeira. Só que dessa vez assumindo os vocais e guitarra base. A banda evoluiu muito com o passar desses anos com a entrada do Sidnei e mais recentemente com o retorno do Marcelo, a banda voltou a ter sua identidade própria novamente. Isso trouxe um vigor muito grande pra banda, estamos em uma fase realmente produtiva e bem felizes com essa formação.

RR) Como você sente a cena de shows de Rio Preto e região? Existe espaço para as bandas mais pesadas?
HW -
Apesar de ter muitas casas de shows, o espaço ao rock pesado é bem restrito, principalmente o som autoral. Essa é uma luta constante e de todos, ter novos lugares para tocar, como festivais de som autoral, valorizar a cena. Mencionando festivais, existe um em nossa cidade (Planeta Rock) que cresceu muito e esperamos que continue dando oportunidade para bandas da cidade.


RR) Qual a perspectiva de levar o trabalho do M.U.T.E. para outros lugares do país?
HW -
Isso já está em pauta, estamos estudando as propostas e tentando viabilizar a logística de levar nosso show para qualquer lugar do Brasil.

RR) Há planos para lançar um novo full-lenght em breve?
HW -
No momento não é o foco, pensamos em cada vez mais aderir aos singles. Queremos agora é trabalhar uma música de cada vez. Mas também podemos lançar algum disco pelo caminho. Porque não?

RR) Fique à vontade para qualquer outra observação ou recados.
HW - O rock ‘n’ roll é algo que está em nosso DNA, assim como milhares de outras bandas, a gente rala e passa pelos mais diversos obstáculos apenas para encontrar os velhos amigos que deixamos em casa cidade por onde passamos e pelo prazer de estar na estrada e em cima do palco, entregando sempre o melhor que pudermos ao nosso público. Continuamos trabalhando e produzindo nosso som com o mesmo empenho que sempre tivemos, levando nossos ideais em mensagens positivas da melhor maneira possível. Nada paga o prazer que temos quando você, sua mina, seus amigos, chegam pra gente no final do show com aquele olhar de felicidade depois daquela “vibe” incrível e diz: Foi do caralho! Pois sabemos que por um período de tempo nós conseguimos fazer você esquecer-se de todos os problemas e curtir a vida de verdade, pois é pra isso que ela foi feita! E é por isso que continuamos tocando nosso velho e querido Rock ‘n’ roll.
A dica pra galera é: Vá ao show das bandas da sua cidade, dê uma chance! Eles ralam muito apenas pelo prazer em fazer um show pra você! Todas as bandas famosas e “fodásticas” que você curte, também começaram assim, bem pequenas e sem estrutura. Valorize a cena! Viva o rock ‘n’ roll.

Contatos: https://www.facebook.com/mutehardcore/


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A cena do rock autoral de Rio Preto-SP

Criar. No universo cultural a criação seja talvez o elemento fundamental de sua existência. No mundo da música, criar é uma condição mais importante para quem a faz do que para quem a consome. Ainda assim existe um público muito mais interessado em conhecer música autoral do que apenas se deparar com reproduções no dia a dia. Dentro do cenário rock and roll essa realidade também se aplica. A discussão cover versus autoral gerou e gera inúmeras discussões sobre o que é mais interessante, que tipo de público consome uma ou outra, se existe espaço para shows ao vivo de artistas autorais, etc. Muito já se falou sobre essa "disputa", que acontece no Brasil todo. Paralelamente a tudo isso, em São José do Rio Preto (SP) muitas bandas e artistas já conceberam diversos trabalhos autorais, muitos deles registrados em demos-tape, EPs, CDs e formato digital. E, ao longo dos últimos anos, parece que essa tendência tem se intensificado. De tempos em tempos, em intervalos cada vez menores, a mídia e as redes sociais nos informam de um novo trabalho autoral de uma banda de rock, em seus mais diversos estilos.

Ao longo das décadas, nomes como Contra Indicação, Beto Carvalho, Thara, Nothing Face, Putrefaction, Cromlech, Dark Paramount, Overlex, Sabotage, Savagery, Rules, Eternal Rage, Desgraça, Karass, Renato D'Martino, Fatallity, The Trip, Arcano XXI, Bleeding, Cérperus, Dark Paramount, Insane, Abusus, Anexa, Modera, Necrovomit, Young Beens, Imperial Doom, Nevrose, Sonora, Abhorrence, Mr. Bang, Passei um Tarde Assim, Pronuncia, Willian Froes, Sepulchral Desolation, dentre vários outros grupos, registraram seus trabalhos, em seus mais diversos formatos, nas mais diversas condições de produção. Com a evolução da internet, o advento e popularização das redes sociais, a divulgação de um trabalho autoral ganhou novos contornos de abrangência. Um vídeo no youtube hoje em dia tem um poder de divulgação que ninguém que trocava fitas (demonstration tapes) nos anos 1980 imaginaria ser possível, quebrando muitas barreiras geográficas.

Nos dias atuais, muitas bandas e artistas estão aí na ativa. Alguns deles mesclando o formato cover e autoral em seus shows. Mas sempre exercitando suas característica de criação, composição. Vamos relembrar os mais recentes movimentos de grupos na ativa da cena do rock rio-pretense, que vêm registrando e lançando seu repertório autoral e mostrar que a cena do rock autoral de Rio Preto tem força e representatividade.

Above Reality - O grupo desenvolve seu trabalho baseado no metalcore. Pode se encontrar o vídeo de "Runaway" no youtube. A banda trabalha em seu material autoral, enquanto se apresenta em vários festivais na região. (https://www.facebook.com/pg/AboveRealityOficial)

Capivaras Kill - Formada em 2010, o grupo participou de vários festivais de música na região, tendo ficado em 1º lugar no FEMUCA (Catanduva-SP) com a música "Caverna de Platão". Chegou a ter um single produzido por Rick Bonadio e, com recursos do prêmio "Nelson Seixas", o grupo registrou seu primeiro CD, "IntenCidade", em 2016. O teor musical do trabalho é baseado no hard rock com boa dose de energia. (https://www.facebook.com/pg/CapivarasKill)

Cavina - O grupo rio-pretense, que hoje reside na Inglaterra, lançou em 2014 o EP "Cavina", e vem trilhando seu caminho de divulgação mundial de seu trabalho (heavy metal). No mesmo ano ela assinou com a distribuidora Wikimetal Music. Vários vídeos do grupo podem ser encontrados na net, como "Better" e "My World". (https://www.facebook.com/pg/cavinaofficial)

Centro da Terra - Apostando na sonoridade orgânica do rock setentista, o trio rio-pretense já lançou 2 álbuns, um com suas músicas autorais gravadas ao vivo, "Ao Vivo - Tarde no Quintal" e outro gravado ao vivo em estúdio, "Ritual Elétrico ao Vivo". Recentemente a banda lançou um projeto em crowdfunding para captar recursos para um novo trabalho. (https://www.facebook.com/centrodaterrapowertrio)

Elder King - A banda, que navega pelos mares do hard rock e progressivo, começou em 2016 a produção de seu primeiro álbum, que conterá 10 músicas. No site do grupo é possível ter contato com este material. No youtube encontram-se alguns videos como "The Country is Mine" e "Even Afraid". (https://www.facebook.com/pg/ElderKingBand)

Estação da Luz - Na ativa há mais de 15 anos, a banda desenvolve um trabalho calcado nos moldes do rock 70, com grande influência da cena nacional. Lançou em 2014 seu primeiro disco, "Estação da Luz". Além de alguns vídeos na internet, a banda prepara o lançamento de seu segundo full-lenght para 2017. Nos shows, muitas reproduções nacionais, como Secos & Molhados e Mutantes, além de suas músicas. (https://www.facebook.com/aestacaodaluz)

Humberto Lee - Guitarrista e cantor, Humberto já participou de muitos movimentos na cena nos últimos 25 anos. Em 2014 o músico lançou um CD de inéditas, "Rock It", com composições suas e de Fabiana Berti. O trabalho teve a produção viabilizada pelo prêmio "Nelson Seixas", da prefeitura de Rio Preto. Humberto se apresenta nos palcos da cidade, mostrando suas músicas e outras reproduções, ora acompanhado por algum músico convidado, ora na companhia apenas de sua guitarra. (https://soundcloud.com/humberto-lee)

JAMM - Há 3 anos na ativa, a banda, formada por amigos quarentões (Júlio, Antonio Rogério, Marcelo e Márcio) apenas para diversão, vai lançar em 2017 seu primeiro disco, "Our Time Has Come", com 9 faixas autorais, navegando por tendências como rock clássico, metal e blues.

Lier - Decana banda, há quase 25 anos na ativa, lançou em 2015 pela internet 4 faixas inéditas, "Sufocando", "Sob Seus Passos", "Cotidiano" e "Mil Maneiras". Nos shows mescla o rock clássico e pop-rock de diversas bandas. (https://www.facebook.com/bandalieroficial)

Lamúria - Misturando heavy metal com outras tendências, a banda lançou no youtube em 2016 o videoclipe para a música "Profundo Vago". Antes a banda já havia lançado o single "Prejuízo". (https://www.youtube.com/watch?v=i_c7vPhYL3Q)


Lobo y Brujo - Com seis anos de estrada, o grupo, que aposta numa mescla de rock and roll e blues, está preparando o EP "Brujas En La Gira", previsto para março de 2017. O trabalho contém 5 faixas autorais além de um versão. Um clipe para "Bad Girl" se encontra no youtube. (https://www.facebook.com/pg/loboybrujo)

Maestrick - Após o intensamente elogiado disco de estreia, "Unpluzze!" (2011) Brasil afora, e que fora lançado também na Europa, o grupo de prog-metal se prepara para lançar seus novos trabalhos, "Espresso Della Vita: Solare", que será dividido em dois álbuns, o primeiro com previsão para 2017. A produção ficara a cargo do renomado Adair Daufembach (Project46, John Wayne, Hangar, etc). (https://www.facebook.com/pg/maestrick)

Mármore de Carrara - Com 15 anos de carreira e com vários trabalhos no currículo, "Mármore de Carrara”, de 2003, “Mármore Compacto”, EP de 2009, e “Rock and Roll”, de 2012 e um DVD gravado, a banda que faz um rock and roll clássico com elementos contemporâneos, tem lançado alguns trabalhos inéditos, como os vídeos das músicas "O Poema de um Assassino" e "Uma Canção", disponíveis no youtube. (https://www.facebook.com/pg/marmore.rock)

M.U.T.E. - Com influências de metal, hardcore e punk, a banda já tem 2 CDs ("M.U.T.E." - 2010 e "Brutalmente Vivo" - 2013) lançados ao longo de seus 8 anos de atividades. Entre os vídeos já publicados, "Mais que Um" teve a participação dos lutadores de MMA, Minotouro e Minotauro. Nos shows a banda faz especiais de nomes como Raimundos, Planet Hemp, Charlie Brown Jr, Ultraje a Rigor, dentre outros. (https://www.facebook.com/pg/mutehardcore)

Order of Destruction - Com pouco tempo de estrada, a banda pratica um thrash metal tradicional e vem buscando divulgar seu trabalho. Em 2016 lançou um vídeo para a música "By Myself", muito elogiado por consumidores do estilo. (https://www.facebook.com/pg/orderofdestruction)

OUDN - Apostando na energia de elementos modernos do heavy metal (como o metalcore), o grupo tem gerado excelentes produções, como o EP "Save Us From Ourselves" (2015) e vários clipes, que têm frequentado os canais de vídeo como "Hate", "Wrath of the Maker" e "The Reapper", que será lançado em Janeiro de 2017. A banda, campeã da 4ª edição do festival "Planeta Rock", se prepara para lançar em 2017 seu primeiro álbum, a cargo do renomado produtor Adair Daufembach. (https://www.facebook.com/oudnofficial)

Pinga com Groselha - Formada em 2011, a banda faz a inusitada proposta de misturar rock e metal com as bases da música brega nacional. Lançou em 2015 seu primeiro CD, "Brega Rock", e tem divulgado no youtube alguns clipes deste primeiro disco, como "Passar o Ferro" e "Cine Privê". (https://www.facebook.com/PingaComGroselha)


Psicodella - Antigamente intitulada Torn, a nova banda estreia logo de cara com o disco "Psicodella" (2016), produzido no estúdio Busic de São Paulo, e que conta com 9 faixas autorais, baseado quase que totalmente num hard rock moderno. No youtube é possível encontrar a faixa "#nuncaserão", presente no disco. Em seus shows, os temas próprios são executados junto a covers de bandas como AC/DC, S.O.A.D, Raimundos, Pitty, dentre outros. (https://www.facebook.com/psicodellaoficial)

Razorblade - A banda é relativamente nova e sua proposta é resgatar a sonoridade e a estética oitentistas do heavy metal. Em pleno processo de composição de seu primeiro disco a banda tem feito muito shows pela região, sempre apresentando exclusivamente seu material autoral. Em 2016 o grupo publicou o vídeo de "Cuts Like a Razor". (https://www.facebook.com/razorbr)

Samara Bueno & The Black Wolves - A cantora vem há muitos anos se apresentando na noite rio-pretense. Com Samara Bueno & The Black Wolves (na ativa desde 2014), o grupo lançou o videoclipe "Queen of the Night" e participou recentemente do concurso "EDP Live Band", de Portugal. Recentemente ela montou o grupo BAST, que trabalha nesse momento em seu material autoral também. (https://www.facebook.com/pg/samarabuenoandtheblackwolves)

The Brisantinos - Na estrada desde 2012, o quinteto executa um rock and roll, com diversas referências de blues, jazz e até punk rock. A banda também lançou uma campanha de crowdfunding para captar recursos para o lançamento de um CD, previsto para 2017. Várias músicas deste disco já são apresentadas nos shows do grupo. (https://www.facebook.com/pg/brisantinos)


The Chambers - Com 7 anos na ativa, a banda lançou o single "Baby You Rock My Word", disponível em algumas plataformas de distribuição musical e no youtube. Enquanto isso, o grupo vem trabalhando em outras composições e mostrando seu trabalho em shows pela cidade, numa mescla de seu material  com covers. (https://www.facebook.com/TheChambersRock)

Zac - O músico Zac Mónico, mentor da banda Duca, lançou em 2015 seu disco solo, "Só Pra Avisar". Diversos clipes do disco podem ser encontrados na internet. Um rock and roll, com acento pop, recheado de guitarras acentuadas. Zac rotineiramente se apresenta na noite musical da cidade, enquanto planeja o lançamento de um novo CD em 2017. (https://www.facebook.com/pg/zaacmonico)

Alguns outros nomes da cena rock de Rio Preto estão por aí, trabalhando em seu material autoral. A razão de ser de um artista é sua arte. E a criação da arte musical é a forma que ele tem para externar suas influências musicais e passar, em suas letras, sua visão de mundo, suas experiências, frustrações e expectativas. Enfim, a criatividade só é ofertada e assimilada quando existe a criação. E, em termos de criação de rock, Rio Preto está muito bem servida. Mesmo com tantas dificuldades que o estilo tem para se expor no tocante dos shows.

Above Reality - https://www.youtube.com/watch?v=uU1PbnMl85E
Capivaras Kill - https://www.youtube.com/watch?v=vdUD0s547hU
Cavina - https://www.youtube.com/watch?v=RaoYjkAwAsQ
Centro da Terra - https://www.youtube.com/watch?v=DCXtDbnyNno
Elder King - https://www.youtube.com/watch?v=7xi-79EA0c4
Estação da Luz - https://www.youtube.com/watch?v=6Xad6W2DOiM
Humberto Lee - https://www.youtube.com/watch?v=PYE4vlPlpFo
Lier - https://www.youtube.com/watch?v=JPGfcDgtG_c
Lamúria - https://www.youtube.com/watch?v=i_c7vPhYL3Q
Lobo y Brujo - https://www.youtube.com/watch?v=Sg3o6PoSFGM
Maestrick - https://www.youtube.com/watch?v=TqiTl1SpYQs
Mármore de Carrara - https://www.youtube.com/watch?v=sbgF6WKiWuk
M.U.T.E. - https://www.youtube.com/watch?v=T0fqVBeHhvg
Order of Destruction - https://www.youtube.com/watch?v=UdsXO8rTanc
OUDN - https://www.youtube.com/watch?v=8o6wURhFq9I
Pinga com Groselha - https://www.youtube.com/watch?v=HqufB7gHW8Q
Psicodella - https://www.youtube.com/watch?v=6k9TqOcN7C8
Razorblade - https://www.youtube.com/watch?v=l1x8qVV1uBg
Samara Bueno & The Black Wolves - https://www.youtube.com/watch?v=GKKCHaNxOw8
The Brisantinos - https://www.youtube.com/watch?v=dQ_CBdmyn30
Zac - https://www.youtube.com/watch?v=kQutrLWFNb4


Fontes:

Ready to Rock (http://readytorockroll.blogspot.com.br)
Youtube / Facebook / Diarioweb
Livro: "A História do Rock de Rio Preto" - 2013 (https://www.facebook.com/julio.verdi.3)